Opinião

Catanduva, terra de oportunidades perdidas

Hoje me deparei com fotos das obras para rebaixamento da atual linha férrea executadas pela empresa Rumo. Ao constatar visualmente a dimensão e volume da obra, senti um misto de tristeza e raiva. Tristeza por perceber que a Rumo está literalmente enterrando dinheiro numa obra cara, que trará como saldo positivo para a cidade de Catanduva apenas a preservação do pontilhão da Rua Sete de Setembro. O problema da Rumo, que seria a passagem de composições maiores sob o pontilhão sem danificá-lo, será resolvido, claro. Mas os problemas de circulação e mobilidade urbana do município, não.
Sinceramente, apesar do pontilhão fazer parte da nossa história, sua preservação não justifica o gasto com a obra. Por seu pequeno valor arquitetônico e artístico e suas dimensões reduzidas, projetado para uma época com outros veículos e fluxo pequeno, mais dia menos dia, terá de ceder espaço para um projeto mais apropriado. Ele divide a cidade, dificultando a mobilidade urbana. Infelizmente, perdemos a chance de ter essa obra de graça, sem custos para os cofres públicos, bancada pela Rumo.
Exemplos bem sucedidos de preservação arquitetônica e do patrimônio histórico de Catanduva são as antigas estações ferroviária e rodoviária que de prédios abandonados se transformaram na Estação Cultura e hoje são marcos turísticos da cidade, acolhendo a população com seu novo uso. Também o antigo Fórum da Rua Amazonas, que hoje abriga a Secretaria de Educação, onde foram recuperados pisos, forros e até as maravilhosas esquadrias de madeira antigas. Também foi recuperado o “Castelinho” que se transformou em museu. Todas essas intervenções são obras do Prefeito Afonso Macchione Neto. Não foram obras fáceis e demonstram a preocupação com este tipo de preservação.
O sentimento de raiva vem da impotência sentida frente à atitude de algumas “brilhantes” lideranças políticas catanduvenses, incluindo-se nesse rol grande parte da Câmara de Vereadores, inclusive seu ex-presidente, presidentes de Sindicatos, deputados de oposição e outras lideranças, que dizendo agir em defesa da população, simplesmente avalizaram o atual projeto da Rumo, pondo a perder todo o esforço do Executivo Municipal e sua equipe técnica.
A Secretaria de Planejamento havia elaborado um projeto amplo de urbanismo, visando melhorar a circulação e recuperando áreas centrais hoje degradadas. Esse grande projeto, que incluía um novo viaduto e uma nova ponte, estava sendo tratado com a Rumo, com grandes chances de sucesso.
Agora, quando a população começar a sentir os problemas causados pelo aumento no número e no tamanho das composições de trens que irão circular, do tempo de espera e dos congestionamentos, vai reclamar para quem? A Rumo está fazendo exatamente o que as “lideranças” disseram ser o desejo da população, e não poderá mais ser cobrada. Eles trilharam o caminho mais fácil, sem brigar e nem se indispor com ninguém. Resolveram o problema deles e estão certíssimos diante da situação que se criou.
A conta, como sempre, virá para os cidadãos de bem, pagadores de impostos e a cobrança será sobre a Prefeitura.
Catanduva, terra de oportunidades perdidas, pela visão tacanha de alguns, que ao invés de olhar pra frente, guiam olhando pelo retrovisor.

Eloá Noguerol Macchione
Arquiteta e urbanista
formada pela Faculdade de
Arquitetura e Urbanismo
Farias Brito

*ARTIGOS ASSINADOS NÃO REFLETEM A OPINIÃO DO JORNAL O REGIONAL

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