Opinião

CADÊ TEMPO?

Benjamin Franklin disse que tempo é dinheiro. E o mundo acreditou. Acredita até hoje. Com a devida licença, temos que discordar: tempo não é dinheiro. Tempo é muito mais do que dinheiro. O dinheiro pode ser ganho. Pode ser gasto. Pode ser emprestado. Pode ser investido. Dado. Perdido. Por aí. O tempo, não. O tempo somente pode ser gasto. E se a gente não souber gastar bem o nosso tempo, estaremos perdendo vida. Vida e dinheiro são avesso e direito do mesmo tecido, cara e coroa da mesma moeda. A vida é feita de tempo. Tudo pode eventualmente pertencer aos outros. Agora, nosso mesmo é só o tempo. Todos nós recebemos diariamente 24 horas inteirinhas para viver. São 168 horas semanais, só nossas. Nem um segundo a mais. Nem um segundo a menos. Como dizia o pesador Jovelanos: o tempo só falta a quem não o sabe aproveitar.
Observemos o seguinte quadro. No dia a dia: o tempo que se perde indo ao banco para resolver algo que poderia ser feito de casa, no smartphone, poderá ser direcionado a outras atividades. Na hora de fazer compras, valerá o mesmo raciocínio. Optando por comprar pela internet, por exemplo, economizaremos tempo. Com o cartão de crédito, não precisaremos perder tempo indo ao banco. E ainda poderemos fazer compras online com segurança.
Como o tempo somente pode ser gasto, é preciso adotar medidas que assegurem a racionalização de seu uso. Muita gente crê que a agenda resolve o problema. Não. A agenda é indispensável, sim. Ela tem o seu papel. Com ela, não se perde compromissos. Mas há elementos outros a serem considerados.
Eis a fórmula. Todos os dias, de véspera, separemos quatro tiras de papel. Rotulemos cada uma, assim: a) urgente e importante, a um só tempo; b) importante; c) urgente; e d) sem importância e sem urgência. Escrevamos, em cada uma, as tarefas, que teremos que desempenhar no dia seguinte, segundo sua importância e urgência. Procuremos estimar o tempo que cada tarefa vai consumir. Sempre.
Em primeiro lugar, vamos fazer o que é importante e urgente a um só tempo. Aos poucos, perceberemos que a urgência via de regra é fruto da acomodação, da preguiça. É algo que se deixou para depois. Com o tempo, ela irá desaparecer de suas atividades. Muitas vezes, a rotina é avassaladora. São tantos os compromissos, responsabilidades e projetos que não temos tempo para o que é importante. E o problema é que nem sempre temos consciência disso. O fato é que, se não administrarmos bem o nosso tempo, ninguém o fará por nós.
Em seguida, vamos fazer o que é importante. Depois, sim, o que é só urgente. Ah! E é aí que muita gente tende a discordar: urgente não é algo prioritário? Pode ser. Mas o que é importante tem que ser feito prioritariamente. Exemplo clássico é o do advogado que vai sair de seu escritório para audiência que será realizada dentro de breve espaço de tempo, e se depara com o pneu furado de seu carro. Trocar o pneu é urgente. Mas a audiência é que é importante. Assim, o remédio é valer-se de carona, chamar táxi, moto taxi. Por aí.
Por fim, fica aquilo que não é importante nem urgente. Às vezes, é matéria que pode ser deixada até para compor o mapa de atividades do dia seguinte, talvez, até, noutra coluna de atividades (urgente, por exemplo).
Lembremo-nos de separar tempo para nós mesmos, para nossa saúde, para nossa família.
Que não percamos de vista que tempo gasto com saúde não é tempo perdido.
Vale a pena registrar a opinião de Bovie de Fontenele: muito tempo tem quem não o perde. Matar o tempo, violência desnecessária. Quem mata o tempo não é assassino. É suicida.
Isto posto, mãos à obra. Sem perda de tempo!

Marcílio Dias
advogado vereador legislatura
2001/4 Exerceu a Presidência
da OAB Foi diretor da
Faeca Ex-diretor da
Escola Superior
de Advocacia da OAB

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