Opinião

Avaliação cardiológica é fundamental para prática esportiva

A prática de exercício físico é salutar quando existe orientação médica e suporte nutricional adequado. Em competições de curta duração e alta intensidade, existem modalidades esportivas que exigem um trabalho cardíaco diferenciado, muitas vezes por um período de tempo longo ou até indefinido.
Outro aspecto muito relevante, no que tange ao trabalho cardíaco em esportes de alta competitividade, é analisar se os atletas desempenharão suas funções em grupo (coletivamente) ou individualmente.
Em modalidades como futebol, voleibol e basquetebol, os atletas têm uma exigência física e cardiovascular prolongada, por um tempo muitas vezes indefinido e com grande taxa de desidratação. Nestas modalidades, o tempo prolongado somado à pressão psicológica de arenas ou ginásios lotados promove liberação de uma quantidade substancial de hormônios de estresse, os quais podem desencadear taquicardia, arritmias ou até predispor a eventos mais fatais como um infarto do coração. A desidratação excessiva pode comprometer o equilíbrio dos sais orgânicos e favorecer a ocorrência de arritmias cardíacas. Vale ressaltar, também, que nestas modalidades pode ser necessário aquele tempo complementar chamado de prorrogação, no qual o trabalho cardíaco é redobrado. Nas modalidades esportivas individuais, os atletas têm um significante desgaste físico e sobretudo uma pressão psicológica mais acentuada. Imaginar que o atleta, em uma modalidade individual, tem seu desempenho atrelado a sua exposição individual perante inúmeras pessoas e com transmissão para uma infinidade de países, é um fato inquestionável acerca do grau de estresse cardiovascular, com propensão para eventos fatais como arritmias ventriculares. Neste contexto, modalidades como atletismo, salto, ginástica artística e tênis são situações concretas, nas quais os atletas estão expostos a uma sobrecarga cardiovascular aguda e um ambiente de tensão considerável.
Ainda no âmbito das modalidades individuais, como no caso do levantamento de peso e lutas como boxe, além da desidratação natural e sobrecarga cardiovascular, o atleta está sujeito a traumas corpóreos que, mesmo que incidentais, podem extrapolar limites orgânicos de tolerância. Um golpe direto frontalmente no tórax pode ser letal, uma vez que pode desencadear uma arritmia cardíaca súbita seguida de parada cardíaca imediata.
Assim, as modalidades esportivas, tanto as individuais como as coletivas, oferecem risco cardiovascular aos atletas e, subsequentemente, os atletas devem ser preparados rigorosamente, tendo como ponto de partida avaliação cardiológica preventiva e continuada.

Dr. Edmo Atique Gabriel
Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago

*ARTIGOS ASSINADOS NÃO REFLETEM A OPINIÃO DO JORNAL O REGIONAL