Opinião

A saúde cardiovascular da futura mamãe

O papel da mulher é precípuo na gênese da vida. A função maternal é um privilégio feminino, dádiva divina e garantia da descendência e perpetuação das espécies. Quantos ensinamentos a natureza encerra no tocante ao exercício pleno da maternidade! Quantos princípios filosóficos e religiosos versam sobre este dom de protagonizar o despontar da vida!
Não são apenas facetas poéticas que caracterizam as mães, mas existe também um complexo universo de fenômenos biológicos e hormonais que cercam o processo da gestação. Como sabemos, a gestação humana tem a duração média de nove meses. O primeiro trimestre da gravidez pode ser considerado como essencial para constituição geral do feto.
Do ponto de vista do coração do feto, muitas anomalias podem aparecer neste período, caso as futuras mamães não adotem algumas precauções e hábitos de vida saudáveis. Relativamente a estes hábitos e precauções, seria importante enfatizar que as mulheres não deveriam contrair doenças infectocontagiosas, fumar, consumir bebidas alcoólicas, usar drogas ilícitas e utilizar medicamentos convencionais sem a devida orientação médica.
Além do risco de malformação fetal geral, os hábitos citados podem promover graves malformações cardíacas no feto e estas, por sua vez, podem contribuir para parto prematuro e risco de morte elevado para o bebê, logo após o nascimento. Denominamos de cardiopatias congênitas o conjunto de anomalias cardíacas que podem acometer o coração do bebê, muitas vezes transformando o momento maravilhoso da concepção num momento de profunda apreensão quanto a eventual necessidade de intervenção cirúrgica no coração do bebê. Como já pontuado, a saúde do coração fetal depende diretamente da saúde cardiovascular da gestante. Sabe-se que, no decorrer do curso gravídico, o coração da gestante apresenta muitas adaptações fisiológicas. Os batimentos cardíacos maternos, por exemplo, podem aumentar para compensar a necessidade de maior fluxo sanguíneo para o feto. Da mesma forma, variações de pressão arterial nas gestantes denotam ajustes de fluxo sanguíneo para o feto. No final do curso gravídico, as mulheres apresentam-se mais inchadas e este profuso acúmulo de líquido gera graus variados de anemia na gestante. Embora esta anemia seja fisiológica e inerente à fase final da gestação, o coração materno terá de trabalhar mais e isso se traduz pela maior frequência de palpitações cardíacas e cansaço.
Diante destas ponderações, admitir que a futura mamãe apresente quadros acentuados de arritmia cardíaca como também crises hipertensivas frequentes implica em considerável aumento do risco cardiovascular não somente para a gestante, mas também para o feto.
Para prevenção de arritmias cardíacas na gestante, recomenda-se que ela utilize medicamentos somente sob supervisão de seu cardiologista, que não faça exercícios físicos sem orientação médica e evite alimentos ou líquidos estimulantes, como aqueles ricos em cafeína. As crises hipertensivas na gestante são extremamente preocupantes e as medidas preventivas e terapêuticas requerem contundência.
O uso controlado do sal e temperos nas refeições e moderado consumo de café e alguns tipos de chá, além do emprego de alguns medicamentos convencionais, pode prover melhor controle da pressão arterial, diminuindo o risco cardiovascular na gestante ao longo da gravidez e no momento do parto. Soma-se a isto o fato de que a prevenção e o tratamento de crises hipertensivas na gestante são estratégias decisivas para evitar a interrupção precoce da gravidez e consequente prematuridade do bebê.

Prof. Dr. Edmo Gabriel
especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago

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