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Opinião

A CHEGADA DO TREM DE FERRO

No ano de 1910 foi instalada em nossa cidade com a implantação dos trilhos da estrada de ferro araraquarense (EFA) a estação ferroviária onde hoje funciona a Estação Cultura.
Nessa época as cidades que tinham a oportunidade de poder contar com esse meio de transporte, podia dizer que eram privilegiadas, pois era na época o meio de transporte mais seguro e que levava seus passageiros, assim como as cargas sem riscos e com a certeza de chegar.
Os outros meios de transportem tais como as rodovias, como já citamos em artigo anterior, eram totalmente desprovidas de todo recurso, assim como não contavam com a pavimentação asfáltica das mesmas.
Nessa época as pessoas viajavam em dois tipos de vagões, sendo o de primeira para quem dispunha de condições para pagar mais, e o de segunda para quem tinha menores condições financeiras.
Esses comboios compunham-se na maioria das vezes de vagão restaurante, onde eram servidas refeições, assim como bebidas de uma forma geral. Havia também um carrinho que transitava entre os assentos dos vagões , servindo lanches e refrigerantes. Também era muito comum, os viajantes de segunda classe, quando se aproximavam o horário das refeições, abrirem suas “matulas” e sem qualquer reverência ou constrangimento, servirem-se daquilo que compunha-se em suas marmitas. O pior momento era quando as janelas do vagão estavam abertas, o individuo comia sua farinha de mandioca e o vendo que entrava pela janela provocava o esvoaçar de farinha por todos os lados, isto sem contar que as locomotivas eram do tipo “maria fumaça”, movidas a vapor, que utilizavam lenha. A fumaça expelida vinha com pequenas brasinhas queimando os passageiros menos desavizados.
Lembrar também que todos esses comboios possuíam vagões leitos para quem viajava durante à noite, providos de cabines individuais e para duas pessoas ou casais.
O sistema de cobrança era feito nas estações, mas existia o fiscal que percorria todo o trem picotando por várias vezes o comprovante de passagem , deixando o mesmo todo perfurado. Próximo de cada cidade onde o trem iria parar, o fiscal ia anunciando o nome da cidade, para que esses mesmos passageiros não deixassem de desembarcar.
A chegada do trem e me refiro a nossa estação ferroviária de Catanduva, era incomum, pois a quantidade de pessoas que por ali transitavam era muito grande. Muitos chegando e hospedando-se no extinto Hotel Acácio, onde foi construido o prédio das instalações do Supermercados Maranhão que encontra-se desativado, assim como o antigo Hotel dos Viajantes, que há não funciona mais.
Vários desses passageiros tomavam como transporte até suas residências ou na casa de parentes, o chamado “biriba”, tipo taxi de hoje, mas que era extremamente pequeno, acomodando poucas pessoas. Outros eram transportados através de charretes, tracionadas por animais. Todas elas compunham-se de uma cobertura em arco, para proteção do sol e da chuva.
Deixo registrado que a chegada do trem com seus passageiros provocava uma grande euforia nos parecendo um evento festivo.
Lá se vão mais de 100 anos da instalação da ferrovia, e hoje todo o transporte de passageiros é feito em ônibus e aviões, em rodovias com muitos recursos, mas que em várias situações e ocasiões, tem propiciado acidentes com a perda de muitas vidas.
Nos países mais evoluídos e de primeiro mundo, como Estados Unidos, França, Japão e outros o trem ainda é o meio de transporte mais seguro, rápido e econômico, além de propiciar paisagens maravilhosas à beira das ferrovias.
Quero deixar aqui registrado que temos ainda em nosso pais, uma estrada de ferro com composições ferroviárias dignas, em atividade que é a ferrovia EF 263 (Estrada de Ferro Central do Brasil) que viaja de Belo Horizonte (MG) a Vitória, capital do Espirito Santo.
Digna de registro.

Antoninho Casseti
corretor de seguros

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