Opinião

A advocacia

AA advocacia é uma profissão que exige estudo. Na verdade, desde o primeiro dia da faculdade inicia-se uma rotina de estudos que será levada por toda a vida, se o advogado quiser ter o mínimo de qualidade e reconhecimento profissional.
Isso se passa com todos os profissionais do direito, é obvio, mas o advogado tem uma exigência especial, pois tem uma função peculiar na sociedade, que consiste na orientação dos clientes e na postulação de direitos, de modo que o advogado é a ponte entre o cidadão, que está tendo um direito violado, e a justiça.
O processo judicial tramita por diversas instâncias, porém é apenas o advogado que nele atua do início ao fim. Aliás, antes mesmo de haver processo o advogado já está inteirado nos detalhes do litígio, buscando soluções até para evitar um processo judicial, se possível, e mesmo depois do final do processo o advogado pode continuar a sua atuação, se necessário algum esclarecimento ou algum ato posterior.
O advogado é aquele que transforma o choro na primeira entrevista, em seu escritório, em sorriso após a solução do problema trazido por seu cliente. Nem sempre o advogado pode obter êxito em um processo, pois tudo depende das provas e da interpretação dos juízes, mas ainda sem êxito é possível que o cliente fique satisfeito se visualizar que foi realizado o melhor trabalho possível, com transparência e seriedade.
Advogado também não tem hora para ser procurado, assim como os problemas e dúvidas surgem a qualquer momento. Claro que o advogado deve saber filtrar o que é urgente do que é mera ansiedade do cliente.
Até porque o advogado acaba sendo, em certa medida, um pouco de amigo e psicólogo, pois não está diante apenas de um conflito jurídico a resolver, mas especialmente de pessoas que, por diversos fatores, vieram a gerar um conflito. Com isso, este conflito é carregado de emoções, e na realidade, algumas vezes, as partes buscam mais uma vingança do que meramente a resolução jurídica do conflito.
É neste momento que o advogado coloca seus próprios problemas em uma “caixinha” e se abre para o problema do cliente, tirando de suas costas todo o peso daquele conflito para se tornar responsável pela resolução.
Note, caro leitor, que são inúmeros detalhes que devem passar pela mente de um advogado dia após dia, e a inteligência do advogado não se restringe apenas ao conhecimento jurídico, mas também à sua inteligência emocional, capacidade de organizar o escritório, seus documentos, seus prazos, suas finanças, dúvidas sobre como obter mais clientes, como cortar gastos, e como crescer profissionalmente.
No fim das contas, independentemente do número de ações, todo advogado tem que trabalhar e estudar muito, e mesmo assim passar por situações complicadas diante de eventuais abusos de autoridades, clientes inadimplentes, ou até mesmo desrespeito de colegas advogados.
Férias, então, dificilmente fazem parte do vocabulário do advogado, pois mesmo em um final de semana prolongado ou no período de recesso forense o advogado continua sendo advogado, com mil pensamentos sobre como fazer o melhor trabalho possível, com ligações de clientes, conflitos a resolver, contas a pagar, enfim, preocupações que nunca são suspensas.
Por isso, advocacia é, basicamente, transparência, humanismo e busca continua por excelência, ah, e muito – mas muito mesmo – trabalho.

Evandro de Oliveira Tinti
Advogado. Especialista em direito e processo do trabalho pela EPD – Escola Paulista de Direito

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