Janeiro é o mês em que muita gente decide sair do sedentarismo ou voltar a se exercitar depois de longo tempo parado. Academias enchem, parques ficam mais movimentados e a vontade de mudar hábitos cresce. O problema é que começar errado pode transformar a empolgação inicial em dor e lesão.
Segundo o médico rio-pretense Gunter Sgarboza, ortopedista e traumatologista especializado em esporte, o principal erro de quem retoma a atividade física é tentar recuperar o tempo perdido. “O corpo precisa de adaptação. Quem ficou parado não pode treinar como se já estivesse em ritmo. Isso aumenta muito o risco de lesão”, afirma.
Para quem está recomeçando, algumas modalidades são mais indicadas. Pilates aparece como boa opção por trabalhar força, mobilidade e controle dos movimentos com acompanhamento próximo. A musculação também é segura quando feita com cargas leves no início e progressão gradual. “Bem orientada, ela ajuda a proteger as articulações e a corrigir desequilíbrios”, explica.
Exercícios na água, como natação e hidroginástica, completam a lista por reduzirem o impacto e sobrecarga. “Dentro da água, a chance de se machucar é bem menor.”
Já outras atividades exigem mais cautela. A corrida, embora pareça simples, costuma causar problemas quando iniciada sem preparo. “A pessoa acha que é só calçar o tênis e sair correndo, mas não é bem assim. Peso, força muscular e equipamento fazem diferença”, alerta.
Artes marciais também podem trazer risco quando o treino começa intenso demais ou sem progressão adequada. O mesmo vale para o crossfit. “Não é que sejam modalidades ruins, mas começar forte demais é um erro comum”, resume.
A orientação do médico é respeitar o próprio ritmo, buscar acompanhamento profissional e evitar comparações. “Começar com segurança é o que garante continuidade. Lesão no início quase sempre leva ao abandono”.
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