O Ministério Público do Estado de São Paulo, por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), com apoio da Polícia Militar, deflagrou nesta terça-feira, 2 de junho de 2026, a Operação “Rei do Pix”, destinada a desarticular um esquema criminoso de desvio de recursos públicos da Câmara de Catanduva.
As investigações apontam que, entre 2023 e 2024, aproximadamente R$ 10 milhões teriam sido desviados dos cofres públicos. Segundo apurado, nos anos subsequentes os envolvidos continuaram realizando movimentações financeiras destinadas a ocultar e dissimular a origem ilícita dos valores, em possível prática dos crimes de lavagem de capitais e delitos correlatos.
De acordo com a investigação, integrantes do grupo criminoso teriam constituído dezenas de empresas de fachada, em nome de parentes e pessoas próximas, para simular a prestação de serviços à Câmara. Essas empresas emitiam notas fiscais fraudulentas, recebiam recursos públicos e repassavam entre 90% e 95% dos valores aos beneficiários do esquema.
Também foram identificados indícios de fraudes em processos licitatórios e contratações superfaturadas, que possibilitavam o direcionamento de recursos públicos aos integrantes da organização criminosa, com pagamentos que chegavam a até 30% dos valores contratados.
Durante a operação foram cumpridos 8 mandados de prisão e 47 de busca e apreensão nas cidades de Adamantina, Bauru, Catanduva, Jaboticabal e São Paulo. As diligências incluíram o cumprimento de mandados no interior da Câmara de Catanduva, que permaneceu fechada durante a ação – nem os servidores puderam entrar. Entre os indiciados estão dois vereadores da atual legislatura e três ex-vereadores de Catanduva, além de assessores e familiares.
A operação mobilizou 20 promotores de Justiça, 30 servidores do Ministério Público, 11 agentes da Receita Federal, mais de 200 policiais militares e três equipes da Polícia Civil, que prestaram apoio em diligências realizadas na capital.
Para assegurar a reparação dos danos causados ao erário, a 1ª Vara Criminal de Catanduva determinou a indisponibilidade de bens dos investigados em valores que podem chegar a R$ 20 milhões, conforme o grau de envolvimento de cada um dos investigados.
Também foram apreendidos valores em espécie e veículos, visando garantir eventual ressarcimento aos cofres públicos e a perda dos bens adquiridos com recursos de origem ilícita.
O nome da operação, “Rei do Pix”, faz referência ao apelido pelo qual um dos investigados era conhecido no ambiente da Câmara Municipal, em razão da intensa movimentação financeira realizada com recursos públicos desviados. As investigações prosseguem sob a coordenação do Ministério Público do Estado de São Paulo.
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