Escolas municipais de Catanduva realizam Semana de Combate à Discriminação Racial
Ao todo, 15 unidades de ensino envolveram-se na proposta e destincharam dezenas de livros
Foto: PREFEITURA DE CATANDUVA - Atividades tiveram como foco a eliminação da discriminação racial
Por Guilherme Gandini | 28 de março, 2022

Alunos do Ensino Fundamental dos Anos Iniciais e Finais da Rede Municipal de Ensino de Catanduva participaram da Semana Municipal de Combate à Discriminação Racial e do Educar pela Igualdade Racial. A iniciativa é da Secretaria Municipal de Educação, em cumprimento à Lei Municipal nº 6.161/2021, da vereadora Taise Braz, que instituiu a ação no calendário local.

A abordagem faz referência ao dia 21 de março, em que é celebrado o Dia Internacional de Luta pela Eliminação da Discriminação Racial. “Teve biblioteca virtual, atividades feitas pelos professores, roda de conversa, leitura, brincadeiras para trabalhar de forma lúdica essa temática”, expõe a secretária municipal de Educação, Cláudia Cosmo.

Ao todo, 15 escolas envolveram-se na proposta e destincharam dezenas de livros sobre a temática, como, por exemplo, o 'O lápis cor de pele do menino marrom'. Entre as várias atividades realizadas pelas unidades da ensino, segundo informou a Assessoria de Comunicação da Prefeitura, destaca-se a produção de desenhos, caso da 'Minha família colorida'.

Outra abordagem foi o 'Jogo do Privilégio Branco', criado pelo Instituto Identidades do Brasil, que aborda o reconhecimento das vantagens sociais, econômicas, educacionais e profissionais das pessoas brancas sobre as demais, como consequência da desigualdade racial do país.

“Por meio de um simples jogo é possível perceber que a desigualdade racial é uma desvantagem em todos os aspectos da vida de uma pessoa negra e isso afeta a vida de todos”, indicou.

“O objetivo é ampliar a reflexão e discussão do tema. O racismo é uma mazela estrutural muito grande, forte ainda nos comportamentos, falas, tratamento da nossa sociedade. E o único caminho é uma educação antiracista. Daí a necessidade de se começar pelo ambiente escolar”, frisa a vereadora Taise Braz, que também integra o Movimento Negro de Catanduva (MNC).

Ela reforça que é essencial introduzir essas questões no universo pedagógico de crianças e adolescentes. “É importante trazer dentro dessa discussão o empoderamento, fortalecimento da identidade das crianças pretas. Em muitas famílias não ocorre esse diálogo, esse momento da criança se reconhecer como negra, da aaceitação, do cabelo, dos traços negróides.”

Taise afirma que sem esse empoderamento, é mais difícil para a criança estar no ambiente escolar e lidar com essas situações que começam a aparecer. “As piadinhas, comentários, alguns tratamentos mais agressivos. A escola precisa estar preparada para fazer o acolhimento dessas crianças e jovens, conduzir uma situação em que há um ato de discriminação e racismo”.

A representante do movimento negro frisa que esse conhecimento precisa ultrapassar os muros da escola, de forma que os alunos levem esse empoderamento e começar a disseminar a ideia de que a responsabilidade é coletiva, trabalhar isso em todos os ambientes que elas estejam: dentro de casa, com os amigos, na igreja, em qualquer espaço social.

“O poder público tem responsabilidade sim, enorme. Precisa se movimentar, comprometer-se ainda mais, mas precisamos da participação da sociedade. Temos uma herança escravocrata de quase 400 anos, cento e poucos anos de suposta libertação da Lei Áurea, mas a gente todos os dias se depara com situações muito agressivas de violência, de vidas ceifadas e oportunidades que não estão sendo criadas. Esse universo está na nossa cidade, ao nosso lado e a gente precisa se movimentar ao longo do ano. As pessoas pretas e o racismo existem todos os dias”.

A parlamentar relembra que é necessário criar mecanismos e políticas públicas eficientes para garantir que pessoas pretas sejam respeitadas e tenham oportundiades. “É para isso que a luta existe”, enaltece.

Autor

Guilherme Gandini
Editor-chefe de O Regional.

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