Cresce consumo de ‘vapes’ em meio a debate sobre regulamentação
Médico pneumologista Renato Macchione cita malefícios do produto e se diz contrário ao regramento cogitado pela Anvisa
Foto: Divulgação - Renato Macchione se diz contrário à regulamentação dos cigarros eletrônicos
Por Guilherme Gandini | 25 de janeiro, 2024

Enquanto a Anvisa - Agência Nacional de Vigilância Sanitária faz consulta pública sobre a proibição dos cigarros eletrônicos, adotada desde 2009, o consumo desses equipamentos continua crescendo no país: nos últimos seis anos, o aumento foi de 600%. O dado é do instituto de pesquisas Ipec, que aponta quase três milhões de adultos usuários do equipamento no Brasil.

O que está em discussão é a possível regulamentação. Em julho de 2022, a diretoria da Anvisa se reuniu para debater o tema e, por unanimidade, a proibição foi mantida. Em outubro do ano passado, quando a consulta foi anunciada, o presidente da Anvisa, Antonio Barra Torres, afirmou que a questão será revista após as contribuições populares, que terminam no dia 9 de fevereiro.

A regulamentação dos dispositivos eletrônicos para fumar (DEF), também chamados de vapes, cigarros eletrônicos, e-cigarrette, e-pipe, entre outros, é uma realidade em cerca de 80 países.

Para o médico pneumologista Renato Eugênio Macchione, o aumento do consumo é uma realidade, mas isso não significa que a regulamentação vá melhorar esse panorama. Ele rechaça os argumentos de que o regramento poderia facilitar o controle e a qualidade do produto.

“O que aconteceu nos Estados Unidos foi que, antes da regulamentação, o consumo era em torno de 1 a 2% da população. Quando regulamentou e liberou a venda, subiu para 20%, 30%, aumentando a mortalidade e, inclusive, aumentando o número de internações por doenças respiratórias graves em jovens”, critica o especialista.

Renato Macchione frisa que o cigarro eletrônico é uma droga que não deveria se tornar oficial. “É prejudicial à população e não vejo como regulamentar algo prejudicial, essa é a minha opinião. E se tem contrabando, isso é um caso de polícia, não é um caso médico. E os nossos órgãos estão plenamente equipados e, acredito, responsáveis por essa situação.”

MALES DO TABACO

De acordo com o médico Renato Macchione, os malefícios do tabaco podem ser imediatos, seja a partir do cigarro comum, de palha, eletrônico, narguilé, charuto, cachimbo, entre outras formas quaisquer de inalação dos mais de 200 produtos altamente nocivos que eles carregam.

“A pessoa coloca o cigarro na boca e a absorção é rápida, pode provocar taquicardia, tosse, pigarro, que são efeitos imediatos das intoxicações que geram malefícios”, expõe.

O cigarro eletrônico, por exemplo, produz uma doença imediata grave chamada evali. “É uma lesão pulmonar que causa insuficiência respiratória, pneumonia, comprometimento dos dois pulmões, muitos casos de necessidade de UTI e mortes relacionadas nos EUA.”

Em longo prazo, o tabagismo pode causar doenças cardiovasculares, infarto, AVC, amputação de pernas por necrose, câncer de pulmão, estômago, esôfago, garganta e bexiga. Ele está relacionado às doenças que mais matam no mundo: AVC, derrame cerebral, infarto agudo do miocárdio, pneumonia, enfisema pulmonar, DPOC e o câncer.

“Quando você faz parte de um grupo que é mais sensível na questão genética, abre-se essa chave e desencadeia-se esse quadro nocivo e algumas pessoas têm até associação das doenças. Pode ter DPOC, enfisema, câncer de bexiga e doença cardiovascular”, completa.

Autor

Guilherme Gandini
Editor-chefe de O Regional.

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