O câncer de colo do útero é uma das principais causas de morte por câncer entre mulheres no mundo e o mais letal entre aquelas com menos de 36 anos no Brasil. A principal origem da doença é a infecção persistente pelo HPV, vírus extremamente comum e, em grande parte dos casos, evitável com medidas preventivas simples e eficazes.
De acordo com o Globocan 2023, são registrados 662 mil novos diagnósticos anuais de câncer de colo do útero no mundo. No Brasil, o Instituto Nacional do Câncer (Inca) estimou no último ano mais de 17 mil novos casos. “Falar de prevenção feminina é falar de HPV. E não podemos mais tratar esse assunto como tabu. É um problema social, econômico e de saúde pública”, afirma Larissa Müller Gomes, oncologista da Oncoclínicas.
Além do impacto direto na saúde, a doença traz consequências sociais devastadoras. Estima-se que cerca de 200 mil crianças se tornem órfãs de mãe todos os anos em decorrência do câncer de colo do útero. “Esses números traduzem o quanto ainda estamos falhando no cuidado antecipado. O câncer de colo do útero é, em grande parte, evitável. Vacinação, rastreamento e informação são as três chaves que podem mudar completamente essa realidade”, reforça.
A vacinação contra o HPV é reconhecida como a principal estratégia global para eliminar o câncer de colo do útero como problema de saúde pública até 2030. Países que atingiram altas coberturas vacinais, como a Escócia, já observam a quase eliminação da doença entre mulheres vacinadas. No Brasil, porém, a adesão ainda é baixa: entre 2014 e 2023, apenas 56,8% dos meninos e 81,1% das meninas receberam a primeira dose da vacina.
Além da imunização, o rastreamento com teste de DNA-HPV, recentemente incorporado às diretrizes do Ministério da Saúde, representa grande avanço. Mais sensível e custo-efetivo do que o tradicional Papanicolau, o método detecta a infecção antes que ela evolua para o câncer.
“Quando diagnosticado precocemente, o câncer de colo de útero tem uma possibilidade de redução de até 90% na mortalidade. Por isso, a conscientização e a prevenção são fundamentais neste Janeiro Verde”, reforça Andreia.
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