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Toy Story 4: brinquedos em crise existencial

Primeiro filme após nove anos, os brinquedos animados tem nova dona, desafios e diretor

A Pixar, estúdio de animação digital que revolucionou o gênero com Toy Story (1995) está de volta com a quarta sequência de sua franquia mais famosa. Toy Story 4 está nas telas dos cinemas brasileiros, em Catanduva no cine Lumière, no Shopping, nove anos depois de seu último filme. Os brinquedos animados perderam o dono, Andy, que cresceu, mas os doou a outra criança, a menina Bonnie.
A mudança mais notável do novo filme vem da direção, em que o criador, John Lasseter, abalado por denúncias de assédio, deixou a Pixar, sendo substituído pelo estreante Josh Cooley. No mais, Toy Story 4 segue a mesma linha dos anteriores, com um roteiro inteligente e cheio de nuances para os públicos tanto infantil quanto adulto, novos brinquedos com personalidades marcantes e muita aventura e o apelo emocional que sempre cativa o espectador. O mais impressionante continua sendo o desenvolvimento da tecnologia digital que se aprimora a cada filme, nas texturas e animação dos brinquedos, pessoas e cenários.
Estão de volta o cowboy Woddy, o astronauta Buzz, a vaqueira Jessie, o Senhor Batata, o Dinossauro e todos os demais brinquedos da turma, que agora é da Bonnie. Mas a menina pouco brinca com eles, sendo sua principal novidade o Garfinho – que vem a ser um simples garfo de plástico tirado do lixo por Woody e decorado por ela em seu primeiro dia na pré-escola, tornando-se seu brinquedo preferido. O problema é que, atingido por uma “crise existencial”, Garfinho não se considera um brinquedo e quer voltar para a lixeira. Como Bonnie se afeiçoou demais a ele, Woody faz o possível para impedi-lo, pois ela não conseguirá ir à escola sem Garfinho.
O sonho da maioria dos brinquedos é pertencer a alguma criança, pelo menos enquanto ela não cresça e perca o interesse neles, o que representa a “morte” para eles. Outro brinquedo novo em crise é Gabby Gabby, boneca “vintage” (vale dizer, das antigas) abandonada num antiquário por ter vindo com um defeito de fabricação: sua fala não funciona. Ela vai se tornando mesquinha à medida que o tempo passa e não consegue uma dona. O próprio Woody não escapa dessa crise: tendo perdido Andy e deixado em segundo plano por Bonnie, ele tenta manter seu emocional sem precisar de uma criança, enquanto tenta ajudar outros brinquedos. E quem o ajuda é uma antiga paixão, uma boneca de porcelana, a Pastora de Ovelhas, que pertencia à irmã de Andy, e que foi levada embora anos atrás. O reencontro reacende a paixão e a esperança de Woody e sua turma de brinquedos.
Toy Story 5 pode demorar alguns anos, mas virá; afinal, brinquedos não envelhecem quando alguma criança brinca com eles.

Sid Castro