Colunismo Social

Café Minuto 23-08-2019

CORTANDO AMARRAS – No ranking do Bco. Mundial para medir a facilidade de fazer negócios em 190 países, o Brasil está na 109º. posição. Abrir uma empresa aqui é matar leões em cada obstáculo que o governo impõe. Agora há uma luz e o Brasil poderá aparecer em posições melhores. Foi aprovado na Câmara a MP da Liberdade Econômica, um pacote eliminando a burocracia para a abertura de empresas e manutenção de negócios e livrar empreendedores das amarras a quem quer produzir no país.  Não será mais necessária a matança de leão, quando muito um gato. Algumas das amarras cortadas: fim da exigência de alvarás de funcionamento, sanitário e ambiental para 287 tipos de empresa, como lojas, restaurantes e bares; autorização para o lançamento de produtos e serviços, desde que não haja proibição tácita; fim de limitação de horário ou dia da semana para atividades econômicas; fim da necessidade de manter documentos em papel como garantia de autenticidade; carteira de Trabalho e Previdência será emitida por meio eletrônico. Os leões estão salvos.

VERGONHA – O STF proibiu a doação de empresas para campanha política para evitar “a troca de favores” e a corrupção. O candidato recebia a bufanfa e em troca ia favorecer a empresa. Foi uma péssima ideia! Bastava para isso fiscalização maior no troca-troca e mais rigidez na lei. Quem financia agora os políticos somos nós. Em 2018, nas eleições presidenciais, a grana era de 1,7 bilhões. Pois agora a Câmara propôs aumentar a grana para 3,7 bilhões de reais para as eleições municipais de 2020. Já era um absurdo, agora o que é? Falta de vergonha!. O que esses caras têm na cabeça? Eu sei, mas não vou falar. E na maior cara de pau, alegam que com a proibição de doações de empresas a União deve arcar com o gasto das campanhas; dizem com o maior cinismo que “”a democracia tem custo”. Acham essa verba irrisória, não dá para pagar um mês de bolsa família. A dinheirama sai das emendas de bancadas, que são usadas para custear investimentos em infraestrutura, saúde e educação. Uma parte da verba pública, destinada a população, será retirada para a campanha política. Ah! Vão catar coquinho. A lei permite doações de pessoas físicas, poderiam tentar convencer os eleitores a ajudar em suas campanhas ao invés de irem para o caminho fácil do cofre público; outra seria enfrentar o problema do alto custo das campanhas eleitorais, reduzindo esse custo. Se tivessem bom senso não precisava assaltar nossos bolsos (mais aí não seriam políticos).

GAÚCHO – Barenaldo vai pedir a mão de sua namorada e senta-se no sofá entre seu futuro sogro e sogra. O sogrão vai logo ao assunto – E aí índio velho, quais são suas intenções com minha filha? – As melhores tchê. Quero casar com ela, responde pálido e nervoso. O gauchão véio olha bem para Barenaldo e diz – Minha filha gosta de Homem de pegada, com H maiúsculo, se é que me entende. Barenaldo responde na lata – Mas bah, quem não gosta, tchê! ### Caterineido rindo, conta para o amigo Estroveydison – essa madrugada entrou um ladrão em casa. – Caramba!!! E você rindo assim? O que ele levou? – Levou uma surra… Minha mulher achou que era eu chegando bêbado.

GLORIOSA TARSILA – A exposição de Tarsila do Amaral, no MASP, encerrada em 28 de julho, foi um retumbante sucesso. Em pouco mais de 3 meses recebeu 402.800 visitantes. Um recorde! Superou a exposição de Claude Monet, nos anos 90, com 401.000 pessoas. E o melhor, com uma artista brasileira. No dia 23 de julho, uma 3ª, feira, dia em que a entrada é grátis, 8.818 pessoas foram visitar Tarsila. A fila serpenteou todo o vão livre do MASP. Foi mais um recorde para um dia de visitação. A grande atração foi, sem dúvida, o Abaporu, que vive na Argentina arrematada por um colecionador de lá. Milhares de pessoas aguardavam na fila até 5 horas para ver o quadro e tirar selfie. Isso indica que brasileiro gosta de cultura, e que o Abaporu virou um fetiche. Depois de tanto tempo, de enfrentar desdém machista, Tarsila se consolida numa posição única da arte nacional. Sua obra foi reconhecida aqui e no exterior, com exposições nos EUA e Canadá. Viva Tarsila!!!

Tarsila do Amaral: Inventing Modern Art in Brazil

TURISMO – O turismo global é o único setor que não conhece crise. A cada ano bate recorde. Em 2018, foram mais de 1,8 bilhões de viagens, conforme a Organização Mundial do Turismo. Um crescimento de 6% sobre 2017. Como comparação: em 1950, foram 25 milhões de viagens e 1990 435 mi. O turismo é fonte de renda para muitos países. Sabe quanto as viagens movimentaram em 2017? Segura aí: 1,7 trilhão de dólares – 2% do PIB global. O ser humano gosta de viajar, acho que está em nosso DNA. E hoje há mais motivos para isso: as pessoas vivem mais; tem menos filhos; informações turísticas na internet; passagens mais acessíveis; mundo relativamente mais seguro (desde que não vá a países em conflito). A Europa é a mais visitada, com 713 milhões de viagens; depois a Ásia, Américas, Oriente Médio e África. O país mais visitado? França, depois Espanha, EUA, China e Itália. Em alguns locais há tantos turistas que já estão trazendo problemas, tais como agressão ao meio ambiente, trânsito complicado, sobrecarga nos sistemas públicos de saúde e transporte. Para diminuir esses impactos estão tomando medidas. Roma, por exemplo, anunciou normas para controlar o fluxo de turistas; Nova Zelândia e Veneza apostam em cobrar taxas dos turistas. E o Brasil? Nem fale. Com tanto potencial turístico recebemos de turistas por ano um pouco mais que a Torre Eiffel. É chato, né!

JOGOS PAN – Comentei aqui que os Jogos Pan Americanos não teve o devido destaque na mídia. Dane-se eles, o que importa é que Catanduva ganhou ouro e prata. Altobeli da Silva faturou a medalha de prata nos 5.000 metros e ouro nos 3.000 metros com obstáculo. Foi recebido na cidade com passeata, desfilando para que todos pudessem ver o grande campeão que é. Depois foi homenageado na Câmara recebendo uma moção de reconhecimento e aplauso. Parabéns Altobeli, com determinação e foco você representa bem o atletismo brasileiro e nossa cidade.  E nem sei se ele tem algum patrocinador. Se não tem, tão marcando bobeira. Ele merece o apoio.

CARNE FAKE – Que tal um hambúrguer feito de proteína de batata, óleo de coco, ervilha, soja, levedura para textura e sabor de carne e beterraba para simular a cor e o sangue da carne. A produção dos ingredientes utiliza 75% menos água, 87% menos gases do efeito estufa, 95% menos terra. Esse é o “hambúrguer” produzido por uma empresa dos EUA. Ela fez uma parceria com o Burguer King para vender o produto em algumas lojas e até o fim do ano será vendido no país inteiro. Bill Gates, que não entende de carne, mas entende de negócio entrou nessa também, investiu em empresa de comida vegetal. Desenvolvido para vegetas e veganos, está atraindo o consumidor de carne e o mercado tende a crescer. Aqui também o negócio já começou, há empresas atentas a essa demanda. Eu não provei esse hambúrguer, quando provar conto pra vocês.

GÊNIO – Quem conviveu com Prince não tem dúvida: ele era gênio. Tinha um raciocínio rápido e trazia tudo pronto na cabeça antes de começar a tocar qualquer coisa no teclado. Parecia mais um cientista que um astro da música. Sua facilidade em compor música era coisa rara no meio artístico. Uma engenheira de som que trabalhou com ele, impressionada com sua agilidade em compor música sugeriu que ele guardasse suas fitas-demo em um cofre em seu estúdio em Paisley Park, Minnesota. Essas fitas estão hoje em Los Angeles sendo analisadas por especialistas na obra de Prince. Segundo eles, são suficientes para lançar um álbum por ano durante um século. Desse acervo, já foi lançado dois álbuns: um em 2018, de voz e piano, e em junho de 2019, Originals, com 15 composições que ele deu de presente a seus amigos. A mais conhecida é Nothin Compares 2, que fez sucesso com Sinéad O’Connor, no início dos anos 90. Originals está nas plataformas de streaming e em vinil duplo na cor púrpura, a sua preferida. Prince teve uma morte boba, em 2016, por overdose de pílulas falsificadas. Não era seu fã… nático, mas ele era superior a Madonna e Michel Jackson.

DE PRIMEIRA – O restaurante “Fabbrica”, em S. Paulo, é rigoroso na escolha de ingredientes de primeira e na elaboração de pratos ousados, que podem variar de acordo com a disponibilidade dos ingredientes. O resultado desses pratos não poderia ser melhor. Exemplos: a vieira grelhada sobre purê de cenoura com um caldo adocicado e manjericão fresco; nhoque de beterraba com creme de parmesão de cor rosada, leve acidez de picles da própria beterraba cortada em cubinhos, pimenta-do-reino branca moída na hora e raspas de limão-siciliano; peito de pato ao missô de cor quase vermelha, com lentilha italiana de Castellucio, pétalas de cebola e dentes de alho. Antes de servir, a pele crocante e dourada do pato é polvilhada de flor de sal. Sobremesa, a clássica pera helena com creme inglês e crumble. E nem é tão caro pelos padrões de SP. Av. Faria Lima, 4199, V. Olímpia. Me deu tanta água na boca que perdi a sede.

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