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Um peso, duas medidas!

Temos o costume de achar que o que é de fora é melhor.
Temos o costume de dizer que a legislação de tal país é melhor do que a nossa e que se fosse aplicada aqui, tudo melhoraria.
Do que adianta importar conceitos se nossa atitude não muda?
Assim foi com a maneira de lidar com a pandemia que estamos vivendo. Importou-se o isolamento europeu sem analisar que as consequências de lá, por simples raciocínio, não seriam as mesmas aqui.
Municípios longínquos das capitais foram fechados e a doença demorou a chegar naqueles locais, mas o estrago já estava feito.
A nobre missão de salvar vidas com estruturação do sistema de saúde para enfrentar a pandemia é desmistificada com a enxurrada de denúncias do chamado COVIDÃO, a nova festa da corrupção.
O número de mortos e infectados pela COVID-19 não para de aumentar em Catanduva e São José do Rio Preto. Os hospitais estão lotados! Em paralelo, o número de pequenas, médias e grandes empresas falindo e fechando suas portas, crescem a passos largos. Mais de 500 mil empresas encerraram suas atividades no Brasil, durante a pandemia, segundo o IBGE.
Vemos cabeleireiros, barbeiros, donos de bares, restaurantes e academias, em vias de não conseguirem levar o sustento para suas casas. Honrar com as contas, já não é real. Enquanto esses profissionais ficam de braços cruzados, impedidos de trabalhar honestamente, jovens, homens e mulheres fazem festa no Residencial Horizon, regada a muita música alta, bebida e velocidade.
Enquanto escrevia esse texto, fui surpreendido com o vídeo do nosso governador na academia do Palácio dos Bandeirantes!
Não vemos as mesmas autoridades que atuam tão ferrenhamente contra os trabalhadores das categorias aqui apresentadas, atuarem de forma tão enérgica no referido residencial ou em outros locais.
Vemos nitidamente a falta de amor à vida, falta de empatia ao próximo e falta de B-O-M S-E-N-S-O (esse, já falamos por aqui).
Inaugurar hiper, supermercados e mega loja em plena pandemia, pode! Mas não pode um salão de beleza atender seus clientes de forma individualizada e seguindo os decretos de higienização vigentes.
É positivo que, em tempos de crise, centenas de empregos sejam gerados, porém, os salões de beleza, as academias, os bares e os restaurantes que são geradores de empregos, estão fechados!
Enquanto houver um peso e duas medidas, nossa sociedade não evoluirá. A COVID-19 e outras inúmeras doenças continuarão se propagando lado a lado com o número de profissionais e empresas que estão falindo.
É hora dos chefes de executivos não se omitirem e culparem o Governo Estadual. É hora das autoridades se empenharem e lutarem pelo seu povo, enxergando a realidade local, atuando juntamente com a população e não contra ela.

Dr. Fabrício Oravez Pincini
Advogado, pós graduado em Direito Empresarial e Tributário – Atuante em causas: Cível, Trabalhista e Previdenciária.

*ARTIGOS ASSINADOS NÃO REFLETEM A OPINIÃO DO JORNAL O REGIONAL