Cidades

Tales Frey Se Apresenta Novamente No FIT Nesta Sexta-Feira

Nesta sexta (12/07) os catanduvenses têm um convite especial para prestigiar a arte de um filho da cidade, o artista Tales Frey, que desta vez apresenta a performance “Finitas Contagens para Infinitas Variações” as 22h no Festival Internacional de Teatro de São José do Rio Preto (FIT). A apresentação será no Complexo Swift (graneleiro) e a entrada é franca.
“Fiquei muito feliz, pois dois trabalhos meus foram escolhidos para integrar o FIT, sendo a performance “Triunfo” realizada no último dia 04 de julho – com o meu sobrinho Vítor Moraes, que também é artista visual – e “Finitas Contagens para Infinitas Variações” que será apresentada na sexta-feira. Embora eu não tenha a intenção de encaixar o meu trabalho ao vivo em uma categoria específica, eu o compreendo em parte como uma arte plástica em movimento e até mesmo como uma espécie de escultura cinética, uma vez que utilizo o corpo humano como suporte para criar relevos, definir formas e espaços, proporcionando tridimensionalidade a cada trabalho produzido, negando muitas vezes as relações com a frontalidade clássica das artes cênicas e com a matéria inerte das artes plásticas. De maneira oposta à ideia de movimento frenético, eu poderia nomear grande parte dos meus trabalhos como uma coreografia não necessariamente submissa ao imperativo da cinética”, relata Tales Frey.
Sobre as apresentações, Tales comenta que ambas as ações têm como base a relação do corpo com uma situação escultórica e rítmica. Ele conta também por que convidou seu sobrinho para compor uma das apresentações. “Triunfo” corresponde a uma série de performances chamada “Memento Mori”, por meio da qual crio ações inéditas em cada aniversário meu desde 2013, tornando o rito de passagem um ritual artístico/estético. Por meio desse trabalho, é possível perceber signos que falam da brevidade da vida, da nossa relação com o espelho e da nossa luta contra o envelhecimento por imposições estéticas e, por isso, convidei o meu sobrinho para fazer a ação comigo, evidenciando feições próximas entre os dois corpos, mas dentro de um confronto de gerações. Ainda podemos compreender “Triunfo” por um viés totalmente diferente, que fala de uma questão fundamental do pensamento político: como podemos viver em harmonia com as nossas diferenças? Como singularidades distintas podem conviver pacificamente em uma mesma sociedade?”
Sobre a ação “Finitas Contagens para Infinitas Variações”, que será apresentada na sexta, Tales comenta que o principal objetivo é mostrar ao público que existem múltiplas identidades e que elas são transitórias. “Com a ação, reflito sobre a noção de que a identidade não pode ser apresentada como uma unidade fixa, pois ela está em constante construção, multiplicando-se sempre em identidades movediças, com as quais nos identificamos apenas temporariamente”.
Tales Frey comenta que a apresentação da ação “Triunfo” no primeiro dia do FIT (04/07) foi um sucesso, tendo as mais variadas reações. “Por se tratar de um evento de teatro, durante a apresentação de “Triunfo”, o público se aglomerou logo no início da performance para contemplar o trabalho como se ele fosse uma proposição absolutamente cênica, mas, aos poucos, a audiência foi percebendo que se tratava de algo muito escultórico, que embora se aproxime da dança de algum modo e da dramaticidade do teatro, é um trabalho mais visual do que cênico. Teve gente que observou o trabalho por pouco tempo sem tecer comentários e teve muita gente que ficou durante os sessenta minutos da ação sempre verbalizando as próprias interpretações em conversa com quem estivesse ao lado. Um grupo concluiu que havia erotismo na ação e, em voz coletiva, repetia de um jeito alegre: “beija, beija, beija…”. Uma mulher quis conversar comigo quando finalizamos a apresentação para contar que havia compreendido o teor político de “Triunfo”, percebendo que o triunfar não é vencer o outro, mas sim entrar em harmonia com ele em uma situação que não exista vencedor e perdedor. Acho que ela compreendeu profundamente o teor, porque nós usamos um par de luvas de boxe que conecta os nossos corpos e, assim, por estarmos grudados pelas mãos, não há luta, mas apenas diálogo corporal sem nenhuma palavra. Tem, inclusive, uma frase do Paulo Freire, do livro “Pedagogia do Oprimido”, que faz extremo sentido pra esse trabalho e ela complementa muito bem o que procurei transmitir por meio da performance: “Inauguram a violência os que oprimem, os que exploram, os que não se reconhecem nos outros” e ali naquele espaço, que é uma espécie de ringue, a violência nunca chega a acontecer, ela nunca é inaugurada, porque nós nos olhamos todo o tempo nos olhos e nos reconhecemos um no outro.

André Santos
Da Reportagem Local

CAMPANHA ICESP

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