Cidades

Setembro Amarelo: MP se Une a Campanha de Prevenção do Suicídio

Promotor da Infância e Juventude de Catanduva Antonio Bandeira Neto em entrevista ao O Regional (O Regional)
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Setembro Amarelo – período de atenção para os sinais de pessoas que podem acabar com a própria vida. O Ministério Público de Catanduva se uniu a campanha de prevenção do suicídio e alerta para a ajuda tanto da família quanto de caminhos que são oferecidos inclusive na rede pública da cidade. Domingo (10) foi o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.
Dados da Promotoria de Justiça Criminal mostram um aumento nesse tipo de morte nos últimos anos. Enquanto que em 2015 foram nove suicídios consumados, em 2016 a quantidade saltou para 11 em Catanduva. O que corresponde a um aumento de 22,2%. O levantamento encaminhado a reportagem de O Regional mostra que os homens são maioria. Só em 2015 foram oito que cometeram suicídio. No ano seguinte foram sete homens também liderando as estatísticas. Entre as mulheres, em 2015 houve um e em 2016 foram quatro. O balanço do primeiro semestre deste ano mostra que foram cinco suicídios no total. Três cometidos por homens e dois por mulheres.
Em entrevista ao O Regional, o Promotor da Vara da Infância e Juventude de Catanduva Antonio Bandeira Neto fala que o suicídio é uma questão que deve ser abordada. “É muito triste porque a vida é um dom tão sublime que Deus nos deu. Para que a pessoa atinja esse limite, esse fundo do poço, é porque está efetivamente precisando de ajuda, de auxílio”, disse.
Estudos mostram que uma pessoa comete suicídio a cada 40 segundos no mundo inteiro. No Brasil uma morte como essa é registrada a cada 45 minutos. “É um dado alarmante, porque se formos observar que a cada 40 segundos uma pessoa morte no mundo decorrente do suicídio, isso nos leva a ter uma reflexão mais profunda a esse assunto”, explica.

O Promotor alerta para o perigo do “jogo” Baleia Azul que já resultou em suicídios registrados no mundo todo. “Notadamente no que diz respeito a criança e ao adolescente, onde nos atuamos desde 1990 em Catanduva, preocupa-nos sob essa recente ignóbil ideia desse jogo da Baleia Azul que tem ceifado a vida de várias crianças, aqui no Brasil inclusive”, complementa informando que felizmente em Catanduva e região não há notícias de nenhuma vítima desse jogo macabro.
“Então em uma medida profilática e em boa hora, vimos que a rede pública de maneira geral tem alertado a população que esse fato existe e que existe caminho também para que essas pessoas, crianças e adolescentes que não tem noção do que ocorre na sua vida futura possam procurar através de seus pais, auxilio, ajuda pra controlar essa situação”, ressalta.
Ele diz que os pais tem papel fundamental para analisar o comportamento dos filhos. “É importante que isso seja divulgado, para que os pais, observando algum comportamento estranho nos seus filhos, tais como criança que não se comunica, que fica trancafiada no quarto, ou as vezes entristecida de maneira rotineira ou talvez sinais no corpo de lesão. Isso são indícios que conjugados, podem levar eventualmente essa criança ou adolescente a tomar medida drástica. Então os pais devem ficar atentos a estes sinais e assim paulatinamente conversar com essa criança e buscar auxílio e ajuda”, explica.
Acolhimento
Em Catanduva são 21 Equipes Estratégias Saúde da Família e cinco Unidades Básicas de Saúde modelos tradicionais, inclusive com psicólogo presente. O Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II) também é um lugar de ajuda. Lá são tratados transtornos mentais graves. As equipes contam com especialistas em psiquiatria e também com psicólogas. “O CAPS é um serviço de porta aberta onde é realizado acolhimento pelas psicólogas aos pacientes que procuram o serviço. Vale ressaltar que em todos os bairros existem as unidades de saúde de referência, onde as pessoas possam buscar por ajuda profissional”, aponta a Secretaria Municipal de Saúde.

Cíntia Souza
Da reportagem local