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Setembro Amarelo: dialogar é fundamental

Por ano, cerca de 12 mil pessoas cometem suicídio no Brasil. Os dados são da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) que realiza, anualmente, o “Setembro Amarelo”, em parceria com outras instituições, para conscientizar a sociedade sobre a importância do diálogo e da ajuda de profissional para o cuidado com a saúde mental.
Para o psiquiatra e cooperado da Unimed Catanduva, Paulo Ramiro Madeira, é fundamental reconhecer a necessidade de tratamento adequado para evitar rótulos e diagnósticos errôneos. “Nem sempre um comportamento está relacionado ao ato suicida. Existe um erro conceitual no que se diz que é suicídio. Do ponto de vista da Psiquiatria, o ato suicida é o que resulta na morte do paciente.”
Para o médico, classificar comportamento autolítico como suicídio, por exemplo, faz mal ao paciente, que acaba buscando tratamento errado. Madeira ressalta que, nestes casos, dialogar e eliminar preconceitos são atitudes fundamentais. “Em 30 anos de experiência, já atendi milhares de pessoas depressivas. É preciso desfazer o mito de que o profissional psiquiatra é médico de louco. Somos profissionais da área da saúde mental e fazemos avaliação do paciente conforme cada caso”, disse.
O especialista explicou que pacientes com alterações comportamentais, em geral, precisam de acompanhamento psicoterápico. Isso porque são muitos os casos em que as manifestações estão relacionadas a problemas de aprendizagem, de habilidades sociais ou até de dificuldade em se relacionar com familiares. “O acompanhamento psicoterápico não substitui o tratamento farmacológico: um complementa o outro”.

SUICÍDIO – O psiquiatra ressalta que, embora a maioria dos comportamentos tenha relação com a doença mental não tratada adequadamente, existem alguns marcadores clínicos prévios ao intento de suicídio. Um dos gatilhos é a família não aceitar a depressão em um adolescente ou jovem e não realizar o tratamento adequado. “Com a negativa de aceitação, a família favorece o ato de suicídio”. É muito comum os pais se virem como culpados quando há o diagnóstico de uma doença psiquiátrica na criança ou adolescente. Por isso, o diálogo é necessário e ter a mente aberta para entender que o acompanhamento e tratamento com profissional especializado são necessários faz diferença.

Saiba mais – Desde 2014, a ABP, em parceria com o Conselho Federal de Medicina (CFM), organiza o Setembro Amarelo®. O dia 10 deste mês é, oficialmente, o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, mas a campanha é realizada durante o ano todo.

Da Reportagem Local