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Cidades

Região está unida contra hidrelétricas

Um ato ecumênico será realizado para protestar contra a construção de hidrelétricas

Um ato ecumênico será realizado neste sábado, 1 de outubro, no distrito de Duplo Céu (município de Palestina), para protestar contra o projeto da construtora civil Encalso de São José do Rio Preto, que planeja construir duas pequenas usinas hidrelétricas no rio Turvo e na foz do rio Preto, nas proximidades de Palestina.
O ato está marcado para as 10 horas e terá, além do evento religioso ecumênico, concentração de motociclistas de toda a região, apresentação de violeiros e participação de deputados estaduais e federais eleitos pela região Noroeste.
São esperadas aproximadamente mil pessoas no protesto. Estão convidados para participação do os municípios diretamente afetados, como Palestina, Pontes Gestal, Orindiúva, Paulo de Faria e Riolândia.
O objetivo é impedir que a construção de duas centrais hidrelétricas, de pequena carga e baixa capacidade de produção, provoque um desastre ambiental de grandes proporções na região.
Construtora
Representantes da empresa Encalso anunciaram que já ingressaram com pedido na Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para a instalação das duas Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCHs) no rio Turvo, uma delas próxima da cachoeira do Talhadão, localizada no distrito de Duplo Céu. O diretor de assuntos regulatórios da Encalso, Anton Schwyter, afirmou que o objetivo da empresa é explicar o projeto à população, mas que a empresa não abre mão ou recuou do projeto.
Segundo ambientalistas, o projeto coloca em risco inúmeras espécies vegetais e animais, além de achados histórico existentes ao longo do rio Turvo, onde ainda serão feitas escavações arqueológicas para mapear a presença de jesuítas e dos primeiros colonizadores do sertão de São Paulo.
“Nossa região já deu sua contribuição para a geração de energia ao ceder terras férteis para formação dos grandes lagos. Agora é inconcebível destruir o que resta de beleza natural na região, colocar a fauna e a flora em risco, para gerar uma quantidade insignificante de energia, que poderia ser produzida pela queima de bagaço da cana, sem destruir a natureza”, protesta Gisele Paschoeto, da associação de amigos dos rios Turvo e Preto. Para ela, a mini-usina interessa apenas à Encalso.
O engenheiro Antonio Carlos Carvalho afirma que descobriu vestígios importantes da passagem de jesuítas e pioneiros pela região bem antes do que anotam os registros históricos oficiais. “As margens do rio Turvo guardam importantes achados arqueológicos que ainda não foram devidamente mapeados e catalogados. O relatório de impacto ambiental da Encalso, por incrível que pareça, não detectou esses achados, que são bem visíveis. Precisamos pressionar muito para que o governo paulista não ceda e dê a licença ao empreendimento, sob pena da ocorrência de danos ambientais  e históricos irreversíveis”,frisou.