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Pandemia

Assunto do momento. Lamentável é que o momento venha se arrastando há, pelo menos, seis meses. Mais lamentável é o uso político-ideológico, individual ou corporativo, midiático e de mercado, da pandemia.
Como ocupante de função política e como cidadão me manifesto. O assunto abrange vários aspectos, a maioria concernentes às políticas públicas.
A começar por uma afinação de discurso entre as autoridades do Poder Executivo entre si e do Legislativo. Se não um consenso, uma aproximação desse discurso, com base em dados científicos e ouvindo especialistas da área de saúde, não só locais, mas internacionais. Ouvir os profissionais que lidam diretamente com o problema, os que estão na frente de trabalho, para embasar políticas.
Não é o que se vê, infelizmente. Desde o desleixo e o tom de propagandista de produto do Presidente da República às prefeituras e câmaras que cedem à pressão de segmentos com interesses outros que não o da valorização da vida.
Muitas medidas acertadas foram tomadas: obrigatoriedade do uso de máscara, de higienização em locais de frequência pública e restrição de público, aumento de leitos hospitalares, hospitais de campanha, proibição de aulas presenciais (com instituição de aulas à distância, apesar da precariedade de apoio, onde houve, e da desvalorização dos profissionais), isolamento social (embora sem fiscalização efetiva), apoio financeiro aos economicamente vulneráveis, a despeito das inúmeras falhas.
Essas medidas, porém, esbarraram nas atitudes dos governantes e na consequente desorientação da população. Não eximindo a responsabilidade, é claro, de boa parte da população que, por ignorância ou sectarismo (que não deixa de ser ignorância), vem pondo em risco familiares, profissionais de serviços essenciais, principalmente, e, por extensão, a população como um todo.
Contribui para isso o noticiário sobre a pandemia, que ocupa espaço excessivo – leia-se excesso de informação – em setores midiáticos de grande abrangência, como a televisão, e nas redes sociais, abarrotadas de notícias falsas e opiniões de torcedores fanáticos. A maioria dos telespectadores fixa-se mais na imagem que no discurso falado ou escrito. Vai se lembrar de um ou outro número e de alguma tragédia ou superação individual usada pela emissora. Outros assuntos de importância para a vida do cidadão não são sequer citados ou apenas “pincelados”.
Dois são os efeitos extremos: a banalização da pandemia e a paranoia do isolamento. Não há nenhuma política pública voltada ao atendimento psicológico do cidadão. Esparsas iniciativas têm sido tomadas aqui e ali, como o “Seresta na cidade”, empreendido em Catanduva .
E a economia? É preciso pensar em soluções, não na linha economia versus vida, mas na economia com valorização da vida. E isso passa também pela educação da população: consumidores e empresários, resguardando a integridade de seus funcionários.

Amarildo Davoli
Vereador-PV.

*ARTIGOS ASSINADOS NÃO REFLETEM A OPINIÃO DO JORNAL O REGIONAL

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