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O TEMPO PASSA E AS COISAS MUDAM

Às vezes, essa mudança é para melhor e outras não. São conceitos que variam de pessoas para pessoas.
Fomos, realmente, a Capital dos Cafés Finos. Nossos campos, nossas zonas agrícolas ostentavam milhares de pés de cafés, onde para o seu cultivo um número expressivo de agricultores, meeiros, arrendatários, colonos, abundavam nas terras da região. Com isso, nossos campos agrícolas eram superpovoados, a ponto do Governo do Estado criar as famosas Escolinhas Rurais.
Todo caboclo, lidador no cultivo dessa lavoura, tinha em sua casa da Colônia galinhas, ovos, um porco na engorda, uma vaquinha leiteira e um pequeno espaço de terra para plantar, além de sua pequena horta. Tudo isso somado representava um bom sustento para todas as famílias dos colonos. Isso trazia sustentação, conforto e fartura para o campo.
Éramos, então, Prefeito Municipal de Catanduva e, diante desse enorme cabedal de produtores de Cafés Finos, fomos até a presidência do Instituto Brasileiro do Café, pleitear a instalação em nossa cidade, da primeira Agência do IBC, no interior do Estado. Fomos bem-sucedidos e foi, então, criada e instalada, na rua Alagoas em nossa cidade, a Agencia Nacional do IBC, que funcionou por um bom tempo, até que foram erradicados todos os cafezais da nossa região para o plantio da monocultura da cana de açúcar. Os campos agricultáveis de outrora estavam, agora, ocupados com o plantio da cana de açúcar. Um mar de cana tomou conta dos nossos campos.
Matas nativas tiveram que ser derrubadas, como também famosas colônias que abrigavam os trabalhadores rurais.

Tudo mudou, tudo se transformou.
Veio então a mecanização da lavoura da cana de açúcar que acabou de afugentar o homem do campo.
Criou-se, também, a aplicação de inseticida por via aérea, que, conforme os entendidos, pode até vir a acabar com a vida das abelhas e de suas polinizações. Dizem que o dia que as abelhas desaparecerem da face da terra, o homem sucumbirá.
Já fomos a Capital do Milho. A Capital da Laranja, mas tudo isso é passado como Prefeito de Catanduva que éramos e o potencial agrícola de um dos maiores polos de produtores de cafés finos, tivemos o apoio incondicional do presidente da Associação Industrial Agrícola de Catanduva, Sr. Diolfen Martani e fomos inúmeras vezes a São Paulo para manter entendimentos com o Sr. Ermelindo Matarazzo, a fim de trazer e instalar em nossa cidade a fábrica de Café Solúvel (COCAM). A Indústria Reunida Francisco Matarazzo, tinha na cidade na condição de parada, um conjunto industrial de beneficiamento de algodão, junto a antiga EFA.
Não foi fácil para nós tal empreitada que tantos benefícios trariam para a nossa cidade. Foram tantos os empecilhos que teve hora que nós queríamos abandonar a semelhante ideia, mas ao pensarmos nos postos de trabalho que tal empreendimento industrial traria para a cidade, beneficiando muitos chefes de família desempregados, nos deram forças para continuarmos a difícil tarefa.
As duas últimas letras da palavra COCAM significam Alta Mogiana, região onde a fábrica deveria ser instalada. O Sr. Ermelindo, já nosso amigo, nos afiançou que a fábrica para ser instalado nesse local, precisaria de mais terrenos, principalmente aquele terreno da antiga EFA que margeava o ribeirão São Domingos em Catanduva. Caberia a nós conseguir aquele terreno estadual e passa-lo para a fábrica.
La fomos nós, eu e Diolfen, pedir ao Governador do Estado, Sr. Abreu Sodré, que o Estado doasse e desse posse desse terreno ao nosso Município. E, por fim, depois de muitas idas e vindas, o Governador do Estado atendeu nossa solicitação.
Hoje, não temos mais plantações de pés de café e a fábrica COCAM, o orgulho insofismável de nossa cidade, precisa ir buscar matéria prima fora do Estado para poder fabricar o seu produto e exportá-lo.
Graças a Deus, ela ainda está aqui e haverá de assim permanecer.
Essa é a história da verdade e essa foi a nossa incansável participação.

Engº João Righini
Ex-Prefeito

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