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O Grupo Escolar Paulo de Lima Correa

Lá pelo ano de 1952 começamos a frequentar o curso primário. Nossa primeira escola, era o Grupo Escolar Paulo de Lima Correa, que ficava situado na rua 13 de Maio, entre as ruas Alagoas e rua Sergipe, exatamente onde hoje se encontra o Edifício Yazigi.
O curso ali existente era tão somente o primário que ia do primeiro até o quarto ano, denominação que se dava na época. Tenho fortes e boas recordações, principalmente do terceiro ano, onde a professora Dona Julieta, extremamente dedicada, assim como os demais professores, nos colocava em condições de aprendizado para a época, nos ensinando muitas lições de civilidade e formação adequada e necessária para que nos tornássemos pessoas de bem.
Na sala de aula, a régua tão comum utilizada no quadro negro para a escrita da caligrafia, servia também para nos corrigir, quando não estávamos prestando atenção às orientações ministradas.
Lembro-me como se fosse hoje que ao lado da escola havia um terreno baldio, onde existiam alguns pés de manga e pulávamos o muro para apanhar os frutos e éramos chamados à atenção pelo Sr. Pedro Bento Figueiredo, que era o inspetor de alunos, que nos encaminhava para a sala da diretoria e ali recebíamos as reprimendas do diretor da escola, nos colocando ainda de castigo atrás da porta. Isso era muito comum para a época. Quando isso ocorria, éramos obrigados ainda a levar um bilhetinho para nossos pais e corríamos o risco de umas belas chineladas. Os pais compareciam e tomavam conhecimento do corrido prometendo que o fato não se repetiria.
Em todas as festas cívicas nacionais, tais como Primeiro de Maio, 7 de Setembro, 15 de Novembro, 21 de Abril e do dia do município, em 14 de Abril, eram realizadas solenidades em comemorações a estas datas. Esses eventos eram feitos com extrema ordem, com todos os alunos uniformizados, portando-se em fileiras e por classes, entoando o Hino Nacional com hasteamento da Bandeira do Brasil. Após o hino, eram feitas outras apresentações, como declamações, recitais e cantos em grupos de alunos que se apresentavam para homenagear a data.
Saímos dali compenetrados do dever cívico que iríamos carregar em nossos ombros, da responsabilidade que tínhamos com a Nação, fazendo com que cada um daqueles jovens assumisse o seu papel na sociedade que vivia.
Mais um ano e o Grupo Escolar Paulo de Lima Correa foi mudado para o prédio onde hoje funciona a Fatec e por muitos anos onde funcionou a Fafica.
O que vemos hoje em relação a esta época, é que parece que a grande maioria das pessoas perdeu a noção de civilidade, de comprometimento com a dignidade e o brio.
Há muito tempo, infelizmente o aluno não tem noção do que significam as datas históricas e se você perguntar em uma data dessas, o aluno irá responder simplesmente que é “feriado”.
Outro fato que muito contribui para que as autoridades, assim como diretores de escola e professores perdessem esse direito, é que ao aluno muito foi dado pela abertura constituída em lei, de que ele tem que ser respeitado, cabendo somente direitos e praticamente nenhuma responsabilidade. O que comumente se vê, são professores desrespeitados, agredidos e ainda ameaçados por esse órgão de defesa da criança e do adolescente.
O resultado disso tudo é que o ensino entrou em decadência e hoje é muito comum o estudante adentar a uma escola Superior sem o mínimo de conhecimento da língua portuguesa, com muita dificuldade para escrever até uma simples redação.
Que abram os olhos os políticos e principalmente o Ministro da Educação, pois a tendência é de agravo a cada dia.

Antoninho Sedival Casseti
é corretor de seguros

*ARTIGOS ASSINADOS NÃO REFLETEM A OPINIÃO DO JORNAL O REGIONAL

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