Cidades

Mais do Que História, Parte da Vida dos Catanduvenses

Na Praça 9 de Julho duas obras de arte fazem homenagem a data (O Regional)
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Nos livros, nas praças, nas salas de aulas e nas obras de arte – a Revolução Constitucionalista de 1932, comemorada amanhã, 9 de Julho, é mais do que história, é parte da vida dos catanduvenses. O motivo é que a participação ativa da Cidade Feitiço fez toda a diferença no movimento paulista que marca gerações.

Em entrevista ao jornal O Regional, o historiador e professor, Thiago Baccanelli conta que Catanduva teve um papel importante dentro dessa revolução. “Pois tivemos voluntários de nossa cidade que foram lutar nos campos de batalha”, disse.

Nem mesmo o tempo apaga um dos registros da época. Uma foto histórica mostra os voluntários pouco tempo antes de partirem para o combate. Eles se reuniram em frente ao prédio onde fica a Faculdade de Tecnologia de Catanduva (FATEC) e essa imagem ultrapassa gerações. Na família, Baccanelli também tem exemplos de representantes. “O meu próprio bisavô, Altino Prates, foi um dos que participaram da revolução. Hoje já é falecido”, conta.

Além da participação daqueles que foram enfrentar as tropas do governo como Ortega e Josué, quem ficou também pôde ajudar. “Tivemos aqui em Catanduva a Patrulha Constitucionalista, responsável pela segurança local. O Batalhão Feminino Estrela do Sul que prestava auxílio aos familiares dos catanduvenses que partiram para a revolução, além da realização da campanha de doação que se realizava no Estado inteiro, intitulada – Ouro para o bem de São Paulo”, comenta.

A Revolução Constitucionalista de 1932 é uma das datas mais importantes da nossa região, já que envolveu uma grande quantidade de pessoas não só de Catanduva, mas também voluntários de outras cidades próximas a Cidade Feitiço que se envolveram no combate.

O feriado de 9 de julho é uma homenagem do Estado de São Paulo a todos os soldados que perderam a vida em nome da retomada da Constituição Brasileira. A data marcava a destituição de Getúlio Vargas da presidência da República e a vinda de uma nova Constituição Federal. Outros catanduvenses fizeram parte da luta armada e merecem destaque. É o caso de Marcílio Dias Pereira, de Joaquim Morais Ribeiro, de Renato Neves, de Oscar Otto Berger, de Euclides Pereira, de Sebastião Vaz, de Silvério Minervino Ortiz e Renato Macedo. Também merecem ser lembramos por fazerem parte da Revolução Benedicto Jardim Rodrigues, Alfio Gagliardi Ragonesi, Benedicto Lopes, Alexandre Simek, Venâncio Lima Ferreira, Jair Siqueira Barbosa, José Mazzuia, Cyro Terra, Ernesto Francisco da Silva, José Paulo, José Favorino Rangel e José Pereira.

Um fato como esses não pode ser esquecido, por isso, Baccanelli explica que um dos principais objetivos da disciplina de História é estudar as ações do ser humano, levando em consideração os elementos tempo e espaço.  “Em um dia como esse, o Dia do Soldado Constitucionalista, é inegável a importância de fazer com que as pessoas, principalmente os mais jovens, tenham conhecimento sobre o episódio, o contexto nacional da época, os jogos de poderes envolvidos em questão”, disse.

Ele complementa dizendo que o que mudou de alguns anos para cá é a perspectiva de ensino de História. “Que tirou o foco errôneo, que existiu por muito tempo, de que a História era composta de heróis e vilões, mocinho e bandido, como se só existissem dois lados a serem analisados. O que fazemos hoje, como historiadores, é problematizar as datas e as figuras históricas”, explica.

“No caso específico do soldado constitucionalista, demonstrar a importância da data, o empenho das tropas paulistas, a situação precária que envolveu os revolucionários, a pressão do governo federal”, complementa.

Em sala de aula, o historiador e também educador conta que procura sempre fazer uma ligação dos fatos históricos com a cidade de Catanduva, já que isso aproxima a história de vida de cada aluno. “Percebo que eles ficam bem curiosos quando começo a contar sobre o envolvimento dos catanduvenses no conflito e mostrar para eles toda uma simbologia que Catanduva possui relacionada com a Revolução Constitucionalista de 1932, como a praça que leva o nome do conflito, a estátua do soldado e o painel ‘A Despedida’ que se encontra no local já citado, bem como outra estátua do soldado constitucionalista no Cemitério Nossa Senhora do Carmo, junto aos túmulos de Ortega e Josué, entre outros”, ressalta.

Curiosidades da época também chamam a atenção dos estudantes que trazem como tema a Revolução Constitucionalista de 1932. “Em determinado momento, as tropas paulistas estavam em uma situação econômica totalmente precária, não tendo condições de comprar armamento. Começaram então a usar as matracas, que faziam um barulho semelhante ao de metralhadoras, e, atrás de barrancos, tentavam assustar as tropas do governo federal. Funcionou por um tempo”, finaliza.

Como uma reação paulista à Revolução de 1930, surgiu o movimento que teve o último confronto em 2 de outubro de 1932. A reação que surgiu no dia 9 de julho do mesmo ano teve como principal propósito derrubar o governo provisório de Getúlio Vargas e elaborar uma nova constituição para o Brasil. A luta teve um saldo de 934 heróis que perderam as suas vidas de acordo com os dados oficiais. Mas a estimativa é de que até 2.200 tenham perdido a vida em um propósito que uniu todo o Estado de São Paulo em uma ação nunca vista.

Cíntia Souza
Da Reportagem Local

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