Cidades

Família Relata Momentos de Tensão Com Anúncio de Furacão na Flórida

(Divulgação)
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“O clima era tenso. Porém tudo muito organizado. Na quinta-feira não tinha água para comprar, porque todos os moradores já tinham estocado produtos como água, pão de forma e comida enlatada. Não tinha também bateria extra de celular, nem dinheiro nos caixas eletrônicos, tudo esgotado”. Esse é o relato de Flávia Nogueira, moradora de Catanduva que foi para os Estados Unidos a passeio com a família.
Em entrevista ao O Regional ela conta que chegaram a Orlando no dia primeiro de setembro. No total eram oito pessoas: Flávia, o marido, os dois filhos, a sogra, os cunhados e um sobrinho. A família dela conseguiu pegar o último voo para São Paulo no sábado, poucas horas antes do furacão chegar. Na data, todos os tripulantes de outros voos da mesma companhia áerea voltaram para o Brasil no mesmo avião, como uma medida de segurança.
A população que mora na Flórida, além dos turistas não tinha ideia dos possíveis dias que passariam sem depender de gás, de eletricidade já que ainda não se sabia qual seria o tamanho da devastação que tinha feito tantas vítimas no Caribe. “Não passamos por nada de risco. O pior momento foi não encontrar água no supermercado. Buscamos como opções isotônicos, refrigerantes. No dia seguinte uma farmácia foi reabastecida e entrei em uma fila gigante e comprei água”, complementa Flávia.
Ela conta que caso o voo fosse cancelado, a família já tinha um plano B. “O de ficar no hotel do aeroporto, já que onde estávamos não daria certo porque as janelas eram de vidro. Me sentiria mais segura no hotel do aeroporto esperando o furação passar. Outra coisa que faltou foi madeira. Os moradores corriam e compravam madeirite para segurar as janelas. Vimos em um bairro residencial todas as janelas com madeirite” , complementa.

No meio do caminho o furacão perdeu a intensidade, o que deixou a população mais calma. “Para nós, que não estamos acostumados com uma tempestade como essa é algo muito ruim. Além da angústia, porque você não sabe o que vai acontecer. Só sabe que ele vai passar”, reforça.
Vários foram os ensinamentos que Flávia levará da experiência. “Aprendi com eles (os americanos). Eles são super organizados. O furacão não pega ninguém de surpresa, tem como se esconder, pegar um lugar adequado. Além das pessoas que são extremamente solidárias em ajudar. Existiam grupos nas redes sociais que as pessoas em lugares seguros se inscrevem para abrigar temporariamente as pessoas, além do abrigo do Estado. O Governo também era preocupado em resolver a questão antes dela acontecer”, complementa.
Por ser uma situação muita nova, Flávia conta que sentiu medo, principalmente no aeroporto que estava tumultuado. “Fiquei com uma imagem excelente dos Estados Unidos. É a segunda vez que vou e nada melhor do que conhecer uma situação quando é problema, porque quando está tudo bem, os parques funcionando, a cidade maravilhosa e limpa tudo bem, mas a administração é testada de verdade no momento de dificuldade, no momento em que o governo tem que ser solidário e ajudar a população”, ressalta.
Até mesmo no celular a catanduvense recebeu o alerta de que estaria em uma área de risco de furação. “Passada essa experiência eu tenho um pouco menos de medo de enfrentar isso novamente do que agora porque vi como eles são organizados e tem abrigos”, finaliza.

Cíntia Souza
Da Reportagem Local