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Estudo Aponta Para Presença de 27 Agrotóxicos na Água de Catanduva

Estudo aponta para a presença de 27 agrotóxicos na água que abastece Catanduva. Desse número, 11 deles estão associados a doenças crônicas como o câncer, defeitos congênitos e distúrbios endócrinos. As informações foram divulgadas ontem (17) e tem como base dados do Ministério da Saúde e levam em consideração o período de 2014 a 2017.
A investigação foi feita em conjunto entre a Repórter Brasil, Agência Pública e a organização suíça Public Eye. As informações são parte do Sistema de Informação de Vigilância da Qualidade da Água para Consumo Humano (Sisagua) que traz os resultados de testes feitos pelas empresas de abastecimento.
Entre os agrotóxicos “mais perigosos” estão o alaclor, atrazina, carbendazim, clordano, DDT+DDD+DDE, diuron, glifosato, lindano, mancozebe, permetrina e trifluralina. Além disso, no levantamento também consta que dois agrotóxicos foram detectados com concentração acima do limite considerado seguro no Brasil na água da Cidade Feitiço, são eles o aldicarbe e o aldrin. Outros 22 agrotóxicos detectados em Catanduva estão acima do limite considerado seguro na União Europeia.
Procurada pela reportagem de O Regional, a assessoria de comunicação da Superintendência de Água e Esgoto de Catanduva (Saec) informou que “Catanduva conta com 46 Unidades de Tratamento de Água (UTA) ativas. São explorados 60 poços no Aquífero Bauru e quatro poços no Aquífero Guarani, com profundidade mínima de 85 metros e barreira sanitária. O controle sanitário é feito seguindo a Portaria de Consolidação nº 05/2017 do Ministério da Saúde, com monitoramento de parâmetros diários, semanais, mensais e semestrais”, informou.
“De modo a complementar tal monitoramento, semestralmente são executadas todas as análises de parâmetros presentes nessa portaria por laboratório externo contratado, com Acreditação ISO 17025. As análises nunca apresentaram problemas ou irregularidades em relação aos parâmetros exigidos. A fiscalização da distribuição de água é realizada de forma ativa e bastante frequente pelos Grupos de Vigilância Sanitária Estadual, com sede em São José do Rio Preto. Portanto, todas as exigências do Ministério da Saúde são cumpridas rigorosamente”, consta ainda em resposta ao questionamento de O Regional.
A Secretaria Municipal de Saúde complementou dizendo que “tem indicadores rigorosos, com monitoramento diário, que verificam a qualidade da água no município”, informou.
A Saec e a Vigilância Sanitária informaram que não foram oficiadas pelo órgão competente de fiscalização, tampouco comunicadas sobre a pesquisa em questão.

Não é realidade só de
Catanduva
Não é só Catanduva que tem esse coquetel de mistura de diferentes agrotóxicos na água. O mesmo levantamento mostra que na água de um em cada quatro cidades do Brasil essa situação foi apresentada. As empresas de abastecimento de 1.396 municípios detectaram todos os 27 pesticidas que devem ser testados obrigatoriamente. Desse número, 16 são classificados como extremamente ou altamente tóxicos, já os outros 11 estão associados a doenças crônicas. A contaminação múltipla foi identificada em capitais como São Paulo, Rio de Janeiro, Fortaleza, Manaus, Curitiba, Porto Alegre, Campo Grande, Cuiabá, Florianópolis e Palmas, ainda de acordo com a investigação.

Cíntia Souza
Da Reportagem Local