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Especial Centenário: Sexta Década

São Francisco
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Época de ouro com o maior Carnaval de todos os tempos

Quem esteve presente se lembra das alegrias vividas no maior Carnaval de todos os tempos que foi visto em Catanduva. A época de ouro, do cinquentenário de vida da nossa cidade em 1968, foi mais do que especial, foi como mágica. Para se ter uma ideia da animação dos foliões, o Carnaval daquele ano começou uma semana antes, em 20 de fevereiro, quando, de acordo com o Catanduva Cidade Feitiço, o “show-man” Wilson Simonal esteve na Cidade Feitiço para coroar a Rainha Amália Marangoni e o Rei Momo José Carlos de Lucca. O evento foi realizado em um tablado armado no Parque das Américas e contou com foliões de todas as idades.

O desfile naquele ano reuniu uma multidão de mais de 50 mil pessoas que tornavam o Carnaval, em uma festa para a família toda que ia até a rua Brasil para ver os carros alegóricos, personalidades, figuras do Carnaval e foliões. Modéstia deve ficar de lado e as Escolas de Samba fizeram um verdadeiro show a parte. Entre elas estava a Coração de Bronze, Cruzeiro do Sul, Vila Motta, 13 de Maio, D. Pedro II, Feiticeiras do Cinquentão e a que deu início ao percurso – Escola de Samba Higienópolis.

Os jovens também marcaram presença, desde a Comissão de Festejos e naquele ano, um baile de gala no “Clube dos 300” fez o público procurar o melhor traje rigor e fantasia fina. Só de visitantes, foram 6 mil pessoas. Carros de Curitiba, Londrina, Campo Grande, Porto Alegre e até mesmo de Salvador vieram para Catanduva prestigiar essa época que fica na memória e no coração dos moradores.

Metade da história de Catanduva teve Voz

A Cidade Feitiço completa 100 anos de história em 2018 e metade desse período teve Voz, mais do que isso, teve a emissora A Voz de Catanduva. Em 4 de março de 1968 a trajetória da cidade e do seu povo começou a ser narrada nas ondas do rádio.

A emissora foi fundada por João Alberto Caparroz e na época mantinha programação musical que ia das cinco horas da manhã até uma hora da manhã. Naquela época, a frequência era a de 1470 kHz. Nessa fase, o público não só de Catanduva, como também da região, poderia conferir uma programação que mostrava os principais ritmos que marcaram e que ainda marcam gerações.

A partir daquela década, o rádio se transformou em parte da família dos catanduvenses. Mais do que isso, ele aproximava as pessoas, já que vizinhos se reuniam em volta do rádio para acompanhar as saudosas canções e os principais fatos do nosso país. Várias são as figuras que se lembram com carinho daqueles tempos, incluindo o próprio Caparroz. Do experimental do início, não demorou muito a entrar no carácter definitivo. Lá se foram cinco décadas e agora a Voz é a VOX FM 101,3.

Sinais de uma evolução que nunca para

Nos registros do historiador Nelson Bassanetti, é possível encontrar uma imagem que mostra bem como foi a década de 1970. A constante evolução, a mudança, a busca por melhorias para uma cidade que não para nunca.

A foto área mostra o centro da cidade. O prédio do saudoso Cine República- quem nunca foi até lá assistir a um bom filme de bangue-bangue? Ou a um romance ao lado da enamorado ou do enamorado? Também é possível ver edifícios em construção. Alguns existem até hoje e outros deram lugar a outros espaços.

O Silvio Salles que seria palco de várias partidas importantes de futebol e os contornos da avenida José Nelson Machado que desde aquela época era papel fundamental para a nossa cidade. São registros que mais do que fotos, fazem parte de um tempo que não volta mais, de um tempo que mostrava o ritmo acelerado que já naquela época Catanduva tinha.

Mais dois cursos

O setor de educação sempre foi uma referência em Catanduva e em 1970, nossa cidade ganhou duas novas opções, duas novidades que vieram para a formação profissional de muita gente, isso até os dias atuais. Surgiu a Escola Superior de Educação Física (ESEFIC), que veio a calhar após a inauguração do Conjunto Esportivo do Parque Iracema em 1971. Houve interesse da Fundação Padre Albino em se criar esse novo curso e em maio de 1973 as aulas tiveram início na época que contava com o professor Ivo Dall’ Aglio como diretor.

Da Faculdade de Administração de Empresas (FAECA), o que se sabe é que a primeira reunião foi em agosto de 1970 com Padre Albino, surgindo da iniciativa de unir uma Faculdade de Direito com uma de Ciências Econômicas e Administração de Empresas.

O Ministério de Educação e Cultura restringiu-se apenas a criação da Faculdade de Administração que foi aprovada pelo Conselho Federal de Educação. Depois de aprovado, foram abertas 100 vagas e as primeiras aulas tiveram início em agosto de 1972. Depois que as instalações na rua Pará do prédio se tornou insuficiente, tamanha a demanda de novos estudantes, o prédio foi transferido para o local onde funcionava o antigo Seminário, no bairro São Francisco que foi reformado. 26 anos depois, surgiu a Faculdade de Direito que teve as primeiras aulas em 2003 com 50 vagas no período da manhã e 50 no período da noite.

Mais do que contar histórias, memória viva da nossa cidade

O bom jornalismo vai além do simples fato de contar histórias, e O Regional é exemplo disso. Fundado por Warley e Venâncio, o periódico começou a circular em Catanduva no ano de 1971 com uma edição histórica que mostrava ainda nas primeiras páginas a imagem que um bebê, um recém-nascido, simbolizando a vinda do maior jornal que a Cidade Feitiço já teve e ainda tem.

O menino cresceu, se tornou um homem e neste ano completa 46 anos. O que começou com uma simples máquina de imprimir, se solidificou e se tornou marca registrada de Catanduva. Sempre atento aos principais fatos que aconteceram tanto no Brasil como no mundo, o jornal sempre acompanhou o desenvolvimento, passando por diversas transformações, não só na estrutura como na parte gráfica.

Ainda nas primeiras edições temas polêmicos surgiram, acidentes, tragédias, o que muitas pessoas queriam saber, ou o que pouca gente sabia, porque afinal, como até mesmo George Orwell dizia “Jornalismo é publicar aquilo que alguém não quer que se publique”. Em 1976, o periódico contou com a direção do jornalista Gerson José de Camargo Gabas, que seguia os ideias de um jornalismo justo e verdadeiro. Hoje, O Regional é memória viva da nossa cidade, prestes a celebrar cinco décadas.

O coração mais generoso, deixou o maior legado

Foi no dia 19 de setembro de 1973 que o coração mais generoso de Catanduva deu o último adeus. Monsenhor Albino Alves da Cunha e Silva, o “Apóstolo da Caridade”, que dedicou quase toda a vida em praticar o bem e proteger os pobres e desamparados morreu aos 91 anos de idade.

A data causou comoção, porque ninguém queria se despedir de alguém que fez tantas maravilhas para a nossa cidade. A melhor herança que nos foi entregue foi o exemplo dele que tinha um coração que não cabia no peito e até o fim da vida, viveu em função de ajudar as pessoas. Não é atoa que o processo de beatificação caminha atualmente. Foram inúmeros milagres conquistados por fiéis.

O corpo dele foi velado na Igreja Matriz de São Domingos, local em que celebrou inúmeras missas. Registros da época mostram que milhares de pessoas foram até o local para a despedida. O enterro foi no Cemitério Nossa Senhora do Carmo e vídeos daquele ano mostram a quantidade de crianças, adultos, autoridades e cartazes que mostram a representatividade dele para a nossa cidade. Padre Albino que desejou morrer inteiramente pobre, sem dinheiro, sem bens, sem dívidas e sem pecado deixou o maior legado que é o de fazer o bem e a prova disso está nas pessoas que até hoje lembram das benfeitorias realizadas por ele.

Bonecões, ou na nossa língua, os figurões

Olinda pode até ser a “capital dos bonecos gigantes” que arrastam multidões por onde passam, mas foi em 1973 que os bonecões de lá vieram para o Carnaval da Cidade Feitiço. Na nossa língua, eles eram chamados de figurões.

A festa daquela época, tinha quatro carros alegóricos oficiais, mais dois particulares, cinco escolas de samba, blocos carnavalescos, calhambeques e aqueles que não faziam

parte de grupo nenhum, mas que não perdiam o agito. O Parque das Américas era o ponto de encontro de todos esses foliões.

Naquele ano, de acordo com pesquisas do historiador Thiago Baccanelli, o Bloco dos Figurões tinha dez pessoas com cabeças que eram imensas e dançavam no ritmo que tocado pelas escolas de samba. A iniciativa foi da própria Comissão de Festejos Carnavalescos, em uma ideia de resgatar aquele Carnaval Cinquentão. As pinturas eram de João Pigon. O efeito surtiu efeito e trouxe inovação, vibração e aplausos do público. O sucesso foi tanto que no ano seguinte eles também voltaram para as festividades carnavalescas. Dois desses figurões que fizeram história estão no Museu Padre Albino.

Cidadão Catanduvense Chico Xavier

A história de Chico Xavier emociona até os dias atuais, seja em rodas de conversa, em produções cinematográficas e em livros. Podem passar os anos, mas ele é memória viva para todos nós, mas o que pouca gente sabe é que Chico Xavier é “Cidadão Catanduvense”.

O motivo é que no dia 13 de fevereiro de 1974 a Câmara Municipal aprovou por unanimidade o projeto do vereador Maurílio Vieira concedendo o título ao médium Francisco Cândido Xavier.

Além de Vieira, o documento também foi assinado por Jair Juliano Pozzettti, Altino Rossi, Natalino Antônio Corrêa, Eder Pedro Pellizon, Gregório Rodrigues Gil, Arlindo Busnardo, Guido Broglia, Agenor Vitorino Borghi, José Alexandre Rodrigues Nobalbos Roman, Laier Pereira da Silva e José Marcos Romena.

Indústrias ganharam o próprio espaço

Em 1975 o desenvolvimento da Cidade Feitiço foi notório e foi necessária a implantação que um espaço destinado as indústrias. Foi a partir disso que surgiu o Distrito Industrial “Antônio Boso” que ainda naquela época estava com a avenida Miguel Stefano em fase de asfaltamento.

Uma imagem que faz parte do arquivo do Museu Padre Albino mostra a Tipografia São Domingos, uma das principais indústrias de Catanduva e a primeira a se expandir e chegar ao distrito industrial. O que naquela época poderia parecer arriscado, se tornou em evolução e hoje abriga dezenas de empresas que também encontraram no local, um lugar ao sol para poder crescer junto a nossa cidade.

Prédios públicos começaram a ganhar forma

Foi em 1977 que os prédios públicos começaram a ganhar forma em Catanduva. Uma foto tirada naquele ano mostra a construção do prédio que hoje abriga a Prefeitura e a Câmara Municipal.

Inovador até mesmo para a época, a construção de sete andares contava com o projeto de Luiz de França Rolland que em 1972 lançou a ideia que foi mais do que acolhida, foi missão cumprida. A Prefeitura conseguiu a aprovação da Câmara de uma lei para conseguir um empréstimo de Cr$ 4.500.000,00 a Caixa Econômica Estadual de São Paulo. O pagamento foi feito em 120 meses.

Pesquisa de Nelson Bassanetti mostra que tinha vereador que era contra a obra, imaginando que por conta dela, haveria congestionamento de trânsito e também redução de áreas verdes no centro. O prefeito da época, Warley, mostrou inúmeros argumentos, como o benefício aos mais pobres, que conseguiriam ter fácil acesso ao prédio, além de as ruas ao redor que seriam suficientes para o estacionamento de veículos. Sobre a área verde, ele mostrou que a área em que o prédio ficaria esta deteriorada. Ainda quando a obra era feita não havia o Fórum e o Terminal Urbano. O prédio da Câmara foi inaugurado em janeiro de 1979 e o Paço Municipal em dezembro do mesmo ano.

 

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