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Especial Centenário: Quinta Década

Fafica - Foto site Catanduva Cidade Feitiço
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1958 a 1967

O caminho entre Catanduva e a capital do Estado ficou ‘mais curto’ em 27 de setembro de 1958 com a inauguração do trecho Nova América – Catanduva da Rodovia Washington Luís. O presidente da República era Juscelino Kubitschek de Oliveira e o Governador do Estado era Jânio Quadros.

Com a inauguração da pista de asfalto ligando Catanduva a São Paulo, passaram a operar na cidade linhas de ônibus das empresas Cobratur, Expresso Brasileiro e Cometa que faziam a ligação entre as duas cidades. A foto é da placa inaugural está no acerco do Museu Padre Albino.

A rodovia foi considerada em 2007 a melhor rodovia do ranking elaborado através de pesquisa realizada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). De acordo com a publicação ‘Conjuntura 2017’, o nome da rodovia é homenagem a Washington Luís Pereira de Sousa (1869-1957) que presidiu o Brasil entre 1926 e 1930. Ele ficou conhecido pelo uso da frase “Governar é abrir estradas”. Na foto, a placa de inauguração.

Época também de desenvolvimento no transporte da população

O ano era 1959 quando o transporte coletivo urbano de passageiros chegou a cidade, conforme informações do Livro Conjuntura Catanduva 2017. De acordo com a publicação, data daquele ano o primeiro contrato de concessão para a exploração do serviço essencial para deslocamento da população dentro da cidade. “Na época, a empresa responsável era a Simioni, que, trabalhando com apenas três ônibus, sendo um reserva, interligava alguns bairros ao Centro”, informa o livro.

Em 26 de abril de 1959, fechando a década que ficou conhecida como ´Época Dourada’, a cidade descerrava a fita simbólica de inauguração do Cine Central, o segundo cinema da cidade que já dispunha desde 1946 do Cine Bandeirantes. O novo cine chegaria à cidade por investimento da família de José Ângelo Pellegrino e trouxe como filme de estreia a produção “A Grande Estrada Azul” que tinha no elenco Yves Montand e Alida Valli. Se destacou em público naquela época, segundo apontamento da obra “80 Anos ACE Catanduva”, o filme “A Volta ao Mundo em 80 Dias”.

O Cine Central funcionou até 1979 na Praça da Independência.

O Hospital de Tuberculose de Catanduva inaugurado em 18 de junho de 1960 salvou 17.927 dos pacientes que teriam sido entregue aos cuidados da unidade para tratamento da doença que assustou o Brasil por décadas. 1.034 pacientes que deram entrada no hospital morreram.

O hospital era referência no Estado de São Paulo e demorou uma década para ser construído. De acordo com pesquisas realizadas por historiadores da cidade, a obra teria custado

aproximadamente 300 milhões de cruzeiros e o hospital contava com 672 leitos e uma área construída de 32 mil m2 dentro de uma área de 15 alqueires. Até encerrar as atividades, em 1982, o hospital foi administrado pela irmandade “Pequenas Missionárias de Maria Imaculada”.

No ano seguinte, com trabalho político de Warley Agudo Romão e José Alfredo Luiz Jorge, do Legislativo e da população, o prédio foi cedido pelo Governo do Estado para a Fundação Padre Albino instalar a Faculdade de Medicina. Em 1986 foram instalados os setores de internação do Sistema Único de Saúde.

Em 1960 a cidade recebia a visita do Presidente da República, João Goulart (foto). Os registros fotográficos e imprensa da época retratam a realização de um desfile que teria sido promovido pelo Instituto de Educação Barão do Rio Branco. O portal ‘Catanduva Cidade Feitiço’ retrata o acontecimento com fotos cedidas por Vera de Lourdes Gabas Stuchi. No mesmo ano uma comitiva de políticos da cidade foi recebida no Palácio do Planalto, em Brasília, pelo presidente que recebeu uma série de pedidos dentre os quais o pontilhão de ligação do centro da cidade com o bairro Higienópolis. Goulart também voltaria a Catanduva em 1962.

Dois anos antes, em 1958, a cidade elegeu dois deputados estaduais: Orlando Zancaner com 10.920 votos e Antonio Mastrocola que teria conseguido 9.423 votos. As campanhas políticas de 1962 também movimentaram a cidade. O então governador Carvalho Pinto participou de comício em Catanduva apoiando José Bonifácio Coutinho Nogueira que acabou não sendo eleito. Adhemar de Barros foi o mais votado em Catanduva naquele ano e acabou sendo eleito. Ele também marcou presença na cidade em comício realizado no mês de agosto.

Em novembro de 1964 o Vice Governador Laudo Natel também prestigiou a cidade com uma visita para a inauguração do prédio da Câmara Municipal no Parque da Américas. Em 1967, outro governador visitou a cidade. De acordo com Nelson Bassanetti, o então governador Abreu Sodré deu o pontapé inicial em partida de futebol no antigo “Estádio Sílvio Salles”.

A saúde pública apresentou exponencial desenvolvimento na década de 60. Em 1962, os médicos Alberto Lahóz de Carvalho e Manoel dos Santos Quelha instalaram a Policlínica e Casa de Saúde “Nossa Senhora Aparecida” que mais tarde, em 1975, veio a receber o nome de Hospital São Domingos. Os registros históricos indicam que a Policlínica e Casa de Saúde oferecia na época o que havia de mais moderno em medicina.

A 1ª Exposição Agroindustrial de Catanduva foi realizada em 15 de setembro de 1962. O evento teve assistência da ACIA (Associação Comercial, Industrial e Agrícola) e também da Prefeitura da cidade. De acordo com relato histórico da Associação Comercial e Empresarial de Catanduva (ACE), aproximadamente 40 mil pessoas prestigiaram a abertura da feira.

No dia 18 a exposição teria reunido autoridades e empresários de todo o Estado no Simpósio do Milho. Dentre as autoridades que marcaram presença estiveram o presidente da República João Goulart e o governador do Estado Carlos Alberto Alves de Carvalho Pinto. A imprensa nacional deu cobertura ao evento.

Entretenimento e informação chegam à cidade em 1963 com a TV

Também na década de 60, mais precisamente em 1963, chegou a Catanduva o sinal de televisão. Era a modernidade em entretenimento e informação que chegava a Cidade Feitiço 13 anos depois de se tornar realidade no Brasil. Na ACIA, na época presidida por Elyseu Mardegan, foram realizadas reuniões para tratar sobre os aspectos técnicos da inovação. As imagens e sons que chegaram a Catanduva naquela época eram da TV Tupi, Canal 4.

Rua Brasil é ‘pintada de preto’ com a chegada do asfalto

Depois da inauguração da pista asfaltada ligando Catanduva a São Paulo, era chegada a hora do asfalto chegar também ao coração da cidade, a Rua Brasil. O início das obras de asfaltamento da rua começaram a ser realizadas pela Prefeitura em 1964. Já nesta época o primeiro embate envolvendo o calçadão da Rua Brasil. Conforme registros da Associação Comercial, a intenção da Prefeitura era alargar as ruas e reduzir calçadas, mas os comerciantes e a entidade se posicionaram contrários para que fosse mantido o espaço para a população caminhar.

O cenário era a Praça da República e o público era composto por uma população orgulhosa por comemorar o aniversário da cidade. Naquele ano a feste teve bolo e cultura. É o que relata o historiador Nélson Bassanetti no site ‘Catanduva Cidade Feitiço’. “A foto foi tirada na Praça da República com presença de jovens e um bolo comemorativo pelo aniversário da ‘Cidade Feitiço’, no coreto se apresentou a Corporação Musical Carlos Gomes. No Cine Bandeirantes os cinéfilos assistiram ao filme ‘Os Pássaros’ de Alfred Hitchcock com Tippi Hedren, Rod Taylor, Suzanne Preshettee”, conta Bassanetti com foto do arquivo da família do ex-prefeito José Antônio Borelli.

O ano era 1965 e mais uma vez a comunidade católica de Catanduva se preparava para a celebração do “Corpus Christi”. No portal ‘Catanduva Cidade Feitiço’, o historiador Nélson Bassanetti relata como foi a celebração daquele ano. “Nesse ano o trabalho de decoração foi feito nas ruas que ligam a Igreja Matriz de São Domingos ao Santuário de Nossa Senhora Aparecida. No chão dessas ruas foram aplicados materiais como palha de arroz, pó de café, fibras de madeira, vidros coloridos e flores formando quadros significativos da história Cristã. Eu estava presente”, relembrou o historiador.

A celebração da fé que deu colorido às ruas do coração da cidade estampou a capa da Revista Feiticeira naquele ano. Fotos: Arquivo de Vitor Antônio/ Capa da Revista Feiticeira – Arquivo Nelson Bassanetti.

Em 1965, três conquistas: Jucesp, Bombeiros e Telégrafo Nacional

Três importantes conquistas da cidade datam de 1965. Uma das entidades mais respeitadas pela população, o Corpo de Bombeiros teve sua instalação autorizada em 16 de julho daquele ano graças a atuação política do então deputado Orlando Zancaner. Em 9 de outubro, com empenho da Associação Comercial, era inaugurada a subsidiária da Junta Comercial do Estado de São Paulo (JUCESP) e ainda naquele ano a cidade conquistava junto aos Correios o Telégrafo Nacional que precisou de empenho da ACIA, da Prefeitura e comerciantes

A data era 29 de julho de 1966 quando a Lei Municipal nº 792/66 e depois a Lei nº 803/66 criaram a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Catanduva (FAFICA). A autorização de funcionamento viria anos depois em 7 de abril de 1967 por meio do Decreto Estadual nº 47.886/67.

Os primeiros cursos foram instalados logo após a autorização de funcionamento. O catanduvense poderia então escolher entre os cursos de Pedagogia, História, Geografia e Letras. Quase 10 anos depois surgiu mais uma opção, o curso de Biblioteconomia. Em 1989 teve início o curso de Ciências que em 1997 foi reorganizado criando dois outros: Ciências Biológicas e Matemática. Em 1994 a Fafica ganhou o Curso de Ciência da Computação, em 1998 vieram Direito, Fisioterapia, Jornalismo e Publicidade e Propaganda e, em 2000, começaram as turmas de Odontologia e Ciências Contábeis. Nesta década ainda foram reorganizados os cursos de Letras, História, Geografia, Matemática, Ciências Biológicas e Pedagogia e criados dois novos: Psicologia e Nutrição.

Atualmente a faculdade se chama Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva (IMES-Catanduva).

Na foto tirada no Colégio Nossa Senhora do Calvário o prefeito José Antônio Borelli e ao fundo o Padre César Cauda durante verificação de instalações para funcionamento da Fafica.

 

 



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