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Empresas que Operam em Locais com Maior Risco de Aglomeração Sofrem Mais na Retomada

Com a retomada das atividades econômicas em todas as regiões do país, os donos de pequenos negócios passaram a enfrentar o desafio de atrair os clientes de volta para consumir produtos e serviços, presencialmente, em seus estabelecimentos. A 7ª edição da Pesquisa de Impacto da Pandemia de Coronavírus nos Pequenos Negócios apontou que apesar de 81% das empresas já estarem operando novamente, aquelas que estão situadas em locais com maior risco de aglomeração, ainda enfrentam dificuldade para voltar a operar e retomar o faturamento.
O levantamento realizado pelo Sebrae, em parceria com a FGV, entre os dias 27 e 31 de agosto, identificou que os negócios localizados dentro de feiras ou shoppings populares são os mais impactados neste momento pela pandemia. De acordo com a pesquisa, esses empreendedores são os que ainda registram o maior nível de dificuldade de operação. Na situação oposta, estão os estabelecimentos que funcionam em lojas ou salas de rua, que são o perfil de negócio que mais implementou mudanças para voltar a funcionar, e estão enfrentando um nível menor de dificuldade para manter os empreendimentos abertos.
A pesquisa mostra que, no geral, a perda média de faturamento dos pequenos negócios vem diminuindo nos últimos meses. No período mais crítico analisado pelo Sebrae (abril), a queda do faturamento chegou a 70% abaixo do normal; e agora está em um patamar de 40% de perdas. No entanto, para os negócios localizados em feiras e shoppings populares o nível dessa queda no faturamento ainda é de 50%, quando comparado ao período anterior à crise. Já para as empresas que funcionam em loja ou sala de ruas, a queda é de 36%.
A 7ª pesquisa de impacto contou com a participação de 7.586 empresários de todos os 26 estados e DF, sendo 57% microempreendedores individuais (MEI), 38% de microempresas (ME) e 5% de empresas de pequeno porte (EPP). De acordo com presidente do Sebrae, Carlos Melles, percebe-se uma tendência do consumidor em ser mais criterioso ao escolher o local onde vai consumir um serviço ou produto. “Os empresários devem ficar atento às mudanças no comportamento e hábitos do consumidor que, neste momento, está valorizando lugares mais abertos, com maior controle do fluxo de pessoas, oferecendo melhores condições de segurança e higiene”, destacou.
As vendas online continuam em alta entre as micro e pequenas empresas que têm utilizado canais digitais, como as redes sociais, aplicativos ou internet como plataformas para comercialização de produtos e serviços. Enquanto no final de maio, 59% das empresas utilizavam esses canais, atualmente esse percentual já chega a 67%.
O levantamento do Sebrae também mostrou sinais de recuperação em quase todos os 20 segmentos pesquisados, inclusive para os mais afetados, como: turismo, economia criativa e academias, que tiveram menos perdas em relação à pesquisa anterior. Esse resultado foi refletido mais uma vez na queda do número de empresas que se dizem inadimplentes com dívidas ou empréstimos em aberto. “Com o início da flexibilização das restrições impostas pela pandemia e a retomada gradual das atividades econômicas observa-se uma certa estabilização nos níveis de endividamento dos pequenos negócios nos últimos três meses consecutivos”, explicou Melles.
Ainda de acordo com a pesquisa, pela primeira vez houve uma leve queda no percentual de empresas que buscaram empréstimos. O percentual caiu de 54% para 51%. No entanto, entre as ME e as EPPa procura por crédito é maior, com 60% e 72% respectivamente. Apesar de um leve aumento, dentro da margem de erro, do percentual de empresas que conseguiram crédito – 21% para 22%, o percentual de empresas que tentaram financiamentos e não conseguiram obter o empréstimo voltou a subir no final de agosto, passando de 56% para 61%. Proporcionalmente, as instituições financeiras que mais liberaram crédito foram Banpará, Caixa e Sicoob.

Myllaynne Lima
Da Reportagem Local