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Elas São Maioria, Mas no Mercado Formal, Homens Tem Mais Vagas e Salários Maiores

Smiling young African ethnicity businesswoman in the office

Dupla, tripla rotina diária. Essa é a vida de praticamente todas as mulheres. Ocupação fora e dentro de casa. São mães, esposas, funcionárias, donas de seus empreendimentos, donas-de-casa. Independentemente da vida que levam e das escolhas que realizaram para seguir, elas são a maioria em Catanduva. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 51% da população catanduvense é do sexo feminino. Apesar disso, a realidade no mercado formal – o de carteira assinada – é bem diferente. As vagas são preenchidas, em sua maioria, por homens e os salários permanecem inferiores para as mulheres.
A relação Anual de Informações Sociais (RAIS), do Governo Federal, com base na última divulgação – dados de 2018 – mostrava que na Cidade Feitiço havia naquele ano 36.095 trabalhadores registrados em carteira. Deste número 55,6% representam o número de empregados em diversos setores do sexto masculino (20.101) e 44,3% mulheres (15.994). Portanto, 4.107 vagas a menos para o sexo feminino.
Na indústria de transformação, por exemplo, a discrepância entre a quantidade de homens e mulheres é bem evidente. Eram 7.267 homens e 2.240 mulheres atuando.
O mesmo vale para o setor de construção civil – apesar de que essa realidade é melhor do que era em anos anteriores – em 2018, eram 1156 trabalhadores e 72 trabalhadoras. Nem mesmo o comércio mudou o cenário – 5.109 homens atuavam e 4.045 mulheres mantinham seus empregos nas lojas de Catanduva. Apenas no setor de serviços elas lideravam. Com 7.815 trabalhadoras e 5.153 pessoas do sexo masculino.
A diferença entre salários também é uma realidade . Enquanto um funcionário do setor de serviços industriais recebia em 2018, em média R$ 3.063,44 . A mulher, na mesma ocupação ganhava R$ 2.129,69.
Na construção civil, homens ganhavam R$2.276,12 e mulheres R$ 1.775,07. No comércio, a média salarial masculina era de R$ 2.44,32 e feminina R$ 1.972,54. Destaque apenas para a administração pública na qual mulheres ganhavam naquele ano um pouco mais que homens. Eles tinham salários em média de R$ 3.605,14 e elas R$ 3.778,41.
Calculando uma média entre todos os setores, homens recebiam em 2018 cerca de R$ 2.700 e mulheres R$ 2200.
Em números nacionais, recentes pesquisas apontam que as mulheres tem crescido no mercado de trabalho. Segundo a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), elas representam 7% a mais nas universidades e 49% do mercado de trabalho, de acordo com pesquisa realizada pela Organização Mundial do Trabalho (OMT). Já uma pesquisa realizada pela consultoria McKinsey, aponta que empresas com mulheres na liderança têm 21% a mais de chances de ter desempenho financeiro acima da média e ao analisar a trajetória feminina nos últimos 20 anos, as mulheres saltaram de 34,8 milhões para 45,8 milhões no conjunto da população economicamente ativa no Brasil – alcançando mais de 44% do total, segundo o último censo do IBGE. Se olharmos para períodos mais longos, fica ainda mais evidente a participação no mercado de trabalho – em 1992, por exemplo, as mulheres eram pouco mais de 25 milhões das pessoas economicamente ativas, isso é fator determinante para entender que elas estão ocupando os espaços dentro das empresas, antes redutos masculinos.

Mais pesquisa
No Brasil, apenas uma em cada quatro pessoas (25%) acredita que homens e mulheres são tratados de modo igualitário no mercado de trabalho. Esse é o resultado da pesquisa “Global attitudes to gender equality”, realizada pela Ipsos e pelo Global Institute for Women’s Leadership, do King’s College London, para o Dia Internacional da Mulher. O estudo coloca o país em último lugar no ranking que engloba 26 nações e aborda a percepção dos entrevistados sobre desigualdade de gênero no âmbito profissional.A maioria das pessoas ouvidas em todo o mundo (56%) entende que os dois gêneros não são vistos da mesma maneira nos locais de trabalho de seus países. A nação com a percepção mais positiva sobre o tratamento igualitário entre homens e mulheres é a Malásia, onde 68% dos entrevistados localmente afirmaram que há equidade no ambiente profissional. China (60%), Índia (54%), Rússia (50%) e Peru (48%) fecham o top 5.

Karla Konda
Editora Chefe

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