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Documentário Reflete Intolerância Religiosa

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Promover o debate sobre o sentido da fé em tempos de intolerância religiosa, abarcando temas atuais e urgentes como fake news, conservadorismo, extremismo político e ataques à arte, à ciência e à educação. Essa é a proposta do documentário “O Avesso do Altar”, produzido em São José do Rio Preto (SP), que faz sua estreia neste sábado (8/8), às 20h, com uma exibição ao vivo e gratuita no Facebook (@oavessodoaltar) e YouTube (canal Núcleo Arcênico).
A obra tem direção de Alexandre Manchini Jr. (ator, pesquisador e diretor do Núcleo Arcênico de Criações), roteiro de Carolina Capelli (mestra em antropologia social), e foi contemplada no edital de artes audiovisuais (circulação) do Prêmio Nelson Seixas 2020, da Secretaria Municipal de Cultura de São José do Rio Preto.
A partir do processo de construção e da repercussão do espetáculo de dança-teatro “A Fé que Acostumou a Falhar”, do Núcleo Arcênico, o documentário investiga as formações históricas de dominação religiosa no ocidente e seus expoentes patriarcais mais atuais, como a institucionalização da bancada evangélica e a opressão à mulher. “A Fé que Acostumou a Falhar” estreou em agosto de 2018, depois de um ano de pesquisa, no qual seus artistas se debruçaram sobre suas próprias experiências relacionadas à fé, tratando a dicotomia entre a “fé que nos salva” (ou seja, nos nutre para seguir em frente e nem sempre é de natureza religiosa) e a “fé que nos mata” (a qual, em sua maioria, mistura doutrina religiosa e doutrina político-eleitoral). Para Manchini, de certa maneira, o espetáculo surge como um eco de outro trabalho do Núcleo, “Coágulo”, baseado na obra “O grande inquisidor”, do escritor russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881). “Lá começamos a ter esse olhar mais crítico para a relação da religião com a autonomia do indivíduo: de pensamento e livre-arbítrio.”
Contemplada pelo Programa de Ação Cultural (ProAC), da Secretaria de Estado da Cultura, a peça circulou por cidades do interior paulista e foi alvo de tentativas de censura. Na época, o grupo chegou a receber ataques nas redes sociais. Além das apresentações no âmbito do ProAC, o espetáculo marcou presença em diferentes festivais e unidades do Sesc São Paulo, e teve duas apresentações no Centro de Referência da Dança (CRD), na Capital.

Da Reportagem Local