Cidades

Dez Dias Sem Água: Moradores de Pirangi Recorrem a Caminhões-Pipa

Nos primeiros dias, caminhões percorriam bairros da cidade para distribuição (Divulgação/Prefeitura de Pirangi)
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Caminhões-pipa e água da chuva – são esses os meios usados pelos moradores de Pirangi após a bomba do poço principal da cidade queimar. A situação afetou 80% do município e quando colocavam o novo equipamento, as equipes teriam identificado um problema no local. São dez dias contando com a solidariedade de usinas e cidades da região que realizam o abastecimento de água. Prefeito aponta que espera por solução até a semana que vem.
Maria (nome fictício, porque moradores preferem não se identificar) conta que recorre a água da chuva para o banheiro e afazeres do lar. “Quando chove a gente pega balde e coloca lá fora. Essa água, usamos para lavar banheiro, limpar a casa. Eu peguei no sábado água da chuva para jogar no vaso do banheiro, por exemplo. Mas se chove as pessoas estão pegando água sim para fazer alguma coisa. A gente só espera chover, choveu a gente começa a armazenar água”, disse.
João aponta que a situação é considerada uma bomba-relógio não só para os moradores, como também para os comerciantes. Em supermercados e outros estabelecimentos a situação não é das melhores. “A gente deita com água e a gente pode acordar sem água, então está uma bomba relógio. Tem hora que tem água e tem hora que não tem. Teve uns dias que eles desligavam o poço e só ligavam na madrugada para encher a caixa d´água e desligavam de novo. Teve gente que ficou a noite acordada esperando a água chegar para lavar roupa. Pessoas que ficam de madrugada esperando para encher recipientes com água”, conta.
Para lidar com a situação vale tudo, balde, piscina e outros itens de casa. “Tem gente comprando balde de 50 litros para colocar água. Outros colocam a água na piscina, compram piscina para guardar água. Não tem previsão. Ou volta essa semana ou semana que vem. Estamos esperando limpar o poço e colocar a bomba”, disse outro morador.

Os caminhões-pipa vieram para solucionar, mesmo que de forma temporária, a situação. “Caminhão pipa resolve sim viu. Cada bairro tinha um caminhão pipa abastecendo. Todo mundo saia para a rua com balde, piscina. Tinha gente que colocava o cano do caminhão em cima da caixa d’ água da casa, abria o telhado e abastecia dentro. Agora voltou a água em algumas casas, mas não são todas não”, complementa outra.
Nossa reportagem procurou o Prefeito de Pirangi, Luiz Carlos de Moraes, na tarde de ontem (11). Ele apontou que a bomba do local teria queimado logo no dia 2 de janeiro. “A prefeitura tinha comprado uma bomba reserva e desceu na terça com ela. Veio o guincho e na quarta estava instalada a nova bomba. Só que na hora que ligou estava cortando, não estava trabalhando direito. O engenheiro que estava acompanhando os serviços falou para desligar para não perdermos a bomba e disse que tinha um problema no poço”, disse.
Além da bomba queimada, uma outra bomba teria sido encontrada no poço. “Entramos em contato com o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica) que veio e acompanhou tudo. Eles falaram que precisava tomar os procedimentos de limpeza do poço e a ‘pescagem’ da bomba que estava lá desde 2015. Ela foi retirada e agora começou o trabalho de limpeza que também nunca foi feito”, disse.
A segunda bomba foi retirada no último domingo (7) e atualmente os trabalhos de limpeza são feitos. “Não temos previsão, porque é imprevisto, se eles encontrarem sujeira, por exemplo, tem que retirar. Passaram um produto que tem que ficar três dias para agir. Creio que a partir da semana que vem, terça, ou quarta-feira, se tudo correr bem termina o trabalho”, explica.
Os reservatórios estão, ainda de acordo com o prefeito, sendo abastecidos com caminhões-pipa. São mais de 10 prefeituras da região, além da Sabesp, usinas e empresários que se mobilizaram para ajudar na medida. “Desde anteontem restabeleceu parcialmente a água. Os caminhões estão a todo vapor, enchendo os reservatórios, mas se de repente consumir muita água, eles fecham o registro e esperam encher o reservatório e abrem novamente. Agora a água vai direto às torneiras, mas nos primeiros dias a água era distribuída nas casas”, complementa informando que os trabalhos estão sendo feitos 24 horas por dia.

Cíntia Souza
Da Reportagem Local

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