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Da Espanha Para a Cidade Feitiço: O Histórico Castelinho

Quem passeia pelas ruas de Catanduva já deve ter reparado, na esquina das ruas Mato Grosso e Santa Catarina, a presença de uma construção que remete ao estilo europeu. Hoje, o que conhecemos como Pinacoteca Municipal “João Nasser”, já foi o lar de uma família hispânica.
Após abandonar a Espanha, Emílio Barrionuevo veio a Catanduva (que, na época, era conhecida como Vila Adolpho) e se tornou um dos principais nomes no que se refere ao plantio de café, a principal cultura agrícola que fazia girar a economia em meados de 1910.
Transportando os leitores ao ano de 1917, os primeiros esboços da construção do Castelinho se deram quando Barrionuevo viajou até sua terra natal e voltou, tempos depois, com a planta de uma casa ao melhor estilo espanhol, resolvendo construí-la naquele ano. A obra ficou pronta cinco anos depois, em 1922, contando com 22 cômodos. Vale ressaltar que a torre, na época, tinha uma grande sala de jogos, chamando a atenção e a admiração de quem passasse pela Praça da Independência.
Em 1941, um acontecimento mudou os rumos do prédio: ele foi vendido para João Nasser, que, deixando de lado o caráter exclusivamente habitacional, organizava lindas festas e encontros sociais. Essa foi a realidade do Castelinho por longos 39 anos, até que, abandonado no ano de 1980, virou alvo de depredações e se tornou casa para os sem-teto. Após o descaso, a população lhe deu a fama, inclusive, de ser mal-assombrado (algumas, inclusive, podem ser conferidas em blogs por aí).
Já adentrando no século XXI, especificamente em 2001, o local foi tombado como patrimônio histórico pelo Conselho Municipal de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Cultural e Turístico de Catanduva. Com o intuito de reformá-lo, uma usina da cidade realizou, a partir de 2006, diversas intervenções em sua estrutura, contudo, coube à Prefeitura Municipal assumir o papel de responsável pela conclusão. Em meio à instalação de telhado, construção de rampas e acabamento em banheiros, a Pinacoteca Municipal (agora carregando essa denominação) foi entregue em 19 de dezembro de 2012. Em 320 metros quadrados construídos, a atração conta, agora, com uma entrada principal anexada à copa, salas de direção, administrativas, de exposição, estúdio, sala de pesquisa, uma cozinha temática e sanitários. Não acabando por aí, ainda é importante evidenciar uma área reservada para contar a história do próprio Castelinho, além de varandas contemplativas.
“Fiz uma excursão para o Castelinho com a minha escola e lembro que, na época, fiquei bem impressionados com os quadros e móveis que haviam lá. Me recordo, também, sobre várias informações da cidade que nos são apresentadas. Gostei bastante, principalmente por termos acesso a um amplo conhecimento sobre o município”, ressalta o estudante Fábio Sallum.
Hoje, a Secretaria de Cultura é a encarregada de organizar visitas agendadas de escolas de Catanduva e toda região, bem como de outros grupos interessados. O espaço recebe também, entre cursos e passeios, exposições sazonais de artes plásticas e visuais.
Ficou curioso para aprender um pouco mais desse marco cultural de origem espanhola? A Pinacoteca Municipal “João Nasser” atende, durante a semana, das 8h00 às 17h00, e aos sábados, das 9h00 às 13h00.

Da Reportagem Local