Covid-19 Faz Hospitais de Catanduva Preverem Custos Adicionais de R$ 3 Milhões

Fundação FPA

De acordo com o diretor presidente da Diretoria Executiva da Fundação, Reginaldo Lopes, os dois hospitais escolas atendem em torno de 80% dos pacientes da região pelo SUS, que remunera, em média, somente cerca de 60% dos custos dessa prestação de serviços. Ele informou ainda que, os dois hospitais atendem sempre muito mais do que o contratualizado, isto é, realiza, em média, cerca de 20 ou 30% a mais de serviços do que deveria.
Em 2019 os hospitais Emílio Carlos e Padre Albino, mantidos pela Fundação, apresentaram déficit de R$ 19 milhões e o Recanto Monsenhor Albino de R$ 2,4 milhões. Os déficits acumulados destas três unidades nos últimos nove anos (2011 a 2019) somam mais de R$ 100 milhões. Estudo do Conselho Federal de Medicina de 2018 apontou defasagem de 42% no gasto público com saúde em dez anos, o que comprova as dificuldades enfrentadas pelas Santas Casas e hospitais filantrópicos.
Durante a pandemia, a FPA montou estrutura completa para atendimento dos pacientes com COVID-19, treinando e preparando seus profissionais de saúde desde Janeiro. Prevendo a demanda maior para tratamento desses casos, setores do Hospital Emílio Carlos foram isolados para criação da Unidade para Respiratórios Agudos (URA), com 42 leitos de internação para pacientes respiratórios, sendo 20 destes equipados para cuidados intensivos e 22 de enfermaria. Desde Fevereiro até 13 de Maio já foram feitos 189 atendimentos, 96 internações, 93 pacientes liberados na triagem, 18 internações de UTI e 78 internações de enfermaria. “A Fundação está aguardando o credenciamento dos leitos por parte do Ministério da Saúde, sendo que os atendimentos realizados até o momento foram pagos com recursos próprios e doações de empresas e da comunidade”, informou também Reginaldo.
O tratamento da COVID-19 apresenta uma realidade adversa, comparada com o perfil de tratamento padrão para as patologias até hoje atendidas e tratadas nos hospitais, considerando a complexidade e especificidade dos atendimentos e tratamentos, que geram grande impacto nos custos dessas unidades hospitalares em decorrência, principalmente, da quantidade e valores (preços elevados) dos EPI’s (Equipamentos de Proteção Individual) utilizados e da necessidade de tratamentos intensivos e de enfermaria com longa permanência.
O Diretor Reginaldo informou que o Plano de Contingência elaborado pela Fundação prevê custo mensal adicional estimado de R$ 3 milhões, considerando a ocupação total dos leitos, sendo que o principal motivo para o aumento é o consumo de EPI’s dentro da norma exigida. Ele acrescenta, ainda, que caso o número de atendimentos aumente, provavelmente será necessária a contratação de mais plantonistas e profissionais da assistência.
Ainda segundo ele, quando a epidemia se instalou no Brasil houve um surto de promessas de várias autoridades públicas – Governo do Estado de São Paulo, inclusive, de destinação de recursos para prover a rede pública de saúde, incluindo as Santas Casas e hospitais filantrópicos, onde, sabia-se, o problema iria impactar. Elas, que já atendiam 47% de todas as internações hospitalares e 59% de todas as internações de alta complexidade a um custo brutalmente inferior em relação aos hospitais públicos, precisavam ser socorridas para poder enfrentar a crise que se descortinava.
De acordo com o presidente do Conselho de Administração da Fundação Padre Albino e 1º vice-presidente da FEHOSP – Federação das Santas Casas e Hospitais Beneficentes do Estado de São Paulo, José Carlos Rodrigues Amarante, “os recursos liberados até agora contemplaram somente as prefeituras e os hospitais públicos, que também precisam, claro, mas atendem somente 25% da alta complexidade SUS e a um custo muito superior aos da rede privada filantrópica”, afirmou.

Myllaynne Lima
Da Reportagem Local