Cidades

Catanduvense Gasta Até R$ 26 Milhões Com Cigarros

R$ 26,8 milhões – é esse o valor que o catanduvense gasta com cigarros. Pelo menos é o que mostra levantamento do IPC Maps com dados de 2018, os mais recentes. Além de melhorar a saúde, deixar de fumar gera economia de R$ 2.007,50 por pessoa em apenas um ano. Se forem cinco anos, a poupança ganha mais de R$ 10 mil.
O tabagismo é considerado uma doença crônica e traz diversos malefícios à saúde. A psicóloga especialista Ivone Charran explica que parar de fumar é uma tarefa muito difícil. “Cerca de 5% dos fumantes conseguem abandonar o cigarro sozinhos, sem tratamento ou acompanhamento médico. O restante, ou 95%, precisam de ajuda especializada”, afirma.
Pode parecer que não, mas a cada tragada em um cigarro, o fumante inspira mais de quatro mil substâncias como a nicotina, o alcatrão, o monóxido de carbono além de outras 60 que podem resultar em câncer. Além daqueles que fumam, o cigarro faz mal para os chamados passivos, que são as pessoas que apesar de não tragarem, acabam inalando a fumaça do próprio ambiente.
Se engana quem pensa que o cigarro é apenas um vício de adultos. Levantamento do Instituto Nacional de Câncer (INCA) e do Ministério da Saúde mostra que os adolescentes conseguem comprar cigarros com facilidade tanto no comércio varejista formal, quanto no informal ambulante, isso a nível nacional. O que é um desrespeito à lei 10.702/2003 e ao Estatuto da Criança e do Adolescente, que proíbem a venda para menores de 18 anos.
O estudo aponta que 86% dos fumantes entre os 13 e 17 anos tentaram comprar cigarros em alguma ocasião nos 30 dias anteriores à pesquisa e não foram impedidos. A proporção de êxito na compra foi de 82,3% entre adolescentes de 13 a 15 anos e de 89,9% entre os de 16 e 17 anos.
“Esta é uma situação muito grave, pois o descumprimento da lei que proíbe a venda de cigarros a menores pode ter contribuído para a reversão da tendência histórica de queda na iniciação ao fumo no Brasil. Dados da PeNSE mostram um aumento na proporção de fumantes entre 13 e 17 anos, de 5,1%, em 2012, para 5,6% em 2015. Esta violação está permitindo que nossos adolescentes se iniciem na dependência à nicotina,” alerta a médica do INCA Tânia Cavalcante, coautora do estudo, que ressalta que a idade média de iniciação ao consumo regular de cigarros no Brasil é de 16 anos, segundo dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Segundo o pesquisador do INCA André Szklo, autor principal do estudo, a “combinação explosiva e perfeita” para que a iniciação ao fumo volte a crescer entre adolescentes consiste nos seguintes fatores: o amplo acesso à compra, inclusive de cigarros a varejo (unitários); o baixo preço dos cigarros legais, decorrente do congelamento dos preços mínimos (apenas R$5 por maço com 20 cigarros) e das alíquotas de impostos; os ainda menores preços dos cigarros ilegais contrabandeados do Paraguai; a exposição dos maços perto a doces e balas nos pontos de venda; e o ainda permitido uso de aditivos mentolados e adocicados, que mascaram o gosto ruim do tabaco nas primeiras tragadas da iniciação.

Cíntia Souza
Da Reportagem Local

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