Cidades

Catanduva Tem 782 Pacientes na Fila de Espera Por Cirurgia

Em todo estado de São Paulo são 143.547 pessoas que estão à espera do procedimento (Divulgação)
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Catanduva tem 782 pacientes na fila de espera por cirurgia no Sistema Único de Saúde (SUS). É o que apontam dados de pesquisa inédita do Conselho Federal de Medicina (CFM) obtidos pela Lei de Acesso à Informação. A Cidade Feitiço é a 38ª do estado com maior lista de pessoas para as cirurgias eletivas, que não são consideradas urgentes.
O ranking foi feito com dados repassados em junho deste ano de 16 estados e 10 capitais. No total, são 904 mil procedimentos que estão na fila no país. Entre as cirurgias mais procuradas estão as de catarata, hérnia, vesícula e varizes.
Em todo estado de São Paulo são 143.547 pessoas que estão à espera do procedimento. O maior número vai para São Paulo (25.544 pacientes na fila), seguido de Franca (10.053) e de Araçatuba (6.394). A vizinha São José do Rio Preto tem 6.292 pessoas que buscam os procedimentos.
Entre as cirurgias mais procuradas em todo território paulista está a do aparelho digestivo (46.501 pacientes), nos olhos (35.6017) e no aparelho circulatório (19.003).
O estudo também mostra que o número de pessoas a espera de uma cirurgia só aumenta. Para se ter uma ideia, em 2007 eram 93 pacientes que entraram na fila, sendo que dez anos mais tarde, esse número foi para 50.944. O que mostra que muitos desses pacientes esperam até anos pelo procedimento.
O presidente do Conselho, Carlos Vital, aponta que o número, a nível nacional, pode ser ainda maior, já que outras regiões não divulgaram os dados.
“Pela primeira vez o Conselho Federal de Medicina se aproxima do tamanho real da fila por cirurgias no SUS. Ainda que parciais, os números impressionam, já que os estados que prestaram informações representam metade de todo o volume cirurgias efetivamente realizadas na rede pública em 2016”, explica.
Em 2016, foram feitas 1.652.260 cirurgias eletivas pelo SUS.
Entre os argumentos para o problema dos pacientes que aguarda na fila estão os recursos que são limitados para a demanda que seria muito maior.
“Mais do que uma busca por informações de caráter eminentemente público, buscamos fazer um exercício de cidadania. Por isso, queremos dar divulgação aos dados, compartilhando-os com outros órgãos de fiscalização, como os Ministérios Públicos Estaduais, inclusive relatando os casos em que os pedidos de acesso não foram atendidos ou foram negado”, aponta o 1º secretário do CFM, Hermann von Tiesenhausen.

Mais de 10 anos
por uma cirurgia
O levantamento mostra que pelo menos 746 pacientes estão pendentes na lista entre os estados e capitais há mais de dez anos. Apesar de não necessitar de urgência, podendo ser agendado, o tempo é algo fundamental em qualquer cirurgia. “O mais grave é que, em determinadas cirurgias, a espera complica o quadro do paciente. Se elas esperarem muito tempo, podem ter sua saúde comprometida. Não são raras as cirurgias eletivas que evoluem para uma cirurgia de emergência, que poderiam ser evitadas e cujas consequências podem ser trágicas”, complementa Tiesenhausen.

Cíntia Souza
Da Reportagem Local