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Catanduva Registra Primeiro Caso de Febre Maculosa Neste Ano

NO DIA dos Pais, Júlia levou o café da manhã para o pai (Divulgação)

Catanduva registrou primeiro caso de febre maculosa neste ano. A informação é da Secretaria Municipal de Saúde. O caso aconteceu no final de julho, mas a confirmação foi divulgada no final de setembro. Segundo familiares, a confirmação foi feita no dia 6 de agosto. Segundo a Saúde, a doença não foi contraída em Catanduva. Em fevereiro, outro caso suspeito de febre maculosa estava sendo investigado, mas já foi descartado.
“Catanduva registrou um caso suspeito de febre maculosa em fevereiro e um diagnóstico positivo em julho, mas a doença não foi adquirida no município, ou seja, não é autóctone”, informa a Pasta.
De acordo com especialistas, a febre maculosa é transmitida por meio da picada de carrapato estrela contaminado por uma bactéria chamada “Rickettsia rickettsii”.
A catanduvense Júlia Visquetti Ferreira, de seis anos foi picada pelo carrapato estrela e ficou 22 dias internada no Hospital da Criança em São Paulo. Os pais, Kellen e Marcos Aparecido Chaves Ferreira alertam sobre a doença e relembram que por pouco a filha não morreu.
“No último dia 20 de julho, levamos nossa filha Júlia ao Hospital da Criança no Jabaquara em São Paulo. Ela estava com febre há três dias, dores abdominais, pequenas manchas vermelhas no corpo, dores de cabeça e muita sonolência. Com o resultado do primeiro exame de sangue, ela foi levada as pressas para a UTI. Apresentava estado de septicemia sem diagnóstico da causa. No dia seguinte, o quadro piorou com complicações graves nos rins, fígado e baço. Os médicos não sabiam exatamente o que ela tinha, porém Deus no controle de tudo usou os médicos como instrumentos para salvá-la. Eles apontavam diversas doenças: Meningite, Síndrome Hemofagocítica, koksaki, Leucemia, Lúpus, Epstein-barr, encefalite, e não descartaram mesmo as doenças que ela tinha a vacina em dia, tais como Sarampo, Rubéola e outras, pois os sintomas eram confusos. Perguntaram se ela teve contato com animais silvestres nos últimos dias, mencionamos que visitamos um parque em Jundiaí alguns pontos turísticos na Rodovia dos Romeiros em Itú. Então eles acrescentaram entre os tratamentos um antibiótico para uma suspeita bacteriana.”, informa o pai.
Além da contaminação na pequena Júlia, seu tio, Márcio Chaves Ferreira que morava em Itupeva, também contraiu a doença e morreu quatro dias depois de Júlia dar entrada no hospital. Ambos foram passear em parques da região de Jundiaí e Sorocaba.
“Ainda naquele sábado, meu irmão Márcio Chaves alertou-nos que a Júlia esteve no Parque da cidade de Jundiaí e este parque já tinha sido fechado por presença do Carrapato estrela que transmite a febre maculosa. Com esta informação, a equipe médica sem descartar outras hipóteses, alterou um dos antibióticos para o tratamento específico da febre. O exame para esta doença foi coletado, mas seu resultado não sai rápido. Seu quadro piorou, ela foi entubada, e para aumentar ainda nossa dor, quatro dias depois, o mesmo irmão que alertou para doença morreu por uma infecção não identificada (autopsia deu resultado positivo para febre maculosa em 16 de agosto). Foram dias difíceis, mas Deus teve compaixão, atendeu aos nossos pedidos, consolou nossas dores, mostrou que Ele é Deus. Dias depois, a Júlia começou a dar sinais de recuperação, febre cessando, exames foram aos poucos melhorando e descartando algumas doenças, mas ainda restava a dúvida da causa. Sua consciência voltou, e damos glória a cada conquista de recuperação, respirar sem auxílio de oxigênio, a primeira alimentação via oral e conseguir andar sem auxílio. O resultado da febre maculosa saiu 17 dias depois da internação, tempo demais, Graças a Deus ela também foi tratada para esta suspeita. Confirmada a causa e o tratamento preventivo realizado com sucesso pela equipe que atendeu-a. Deus não permitiu uma dor maior que podemos suportar”, emocionado conta Ferreira.
O pai da pequena reforça ainda que o maior presente do Dia dos Pais ele recebeu neste ano.
“Na véspera do Dia dos Pais, após 22 dias de internação, ela teve alta e assim neste dia especial ela trouxe o meu café da manhã na cama. Louvado seja Deus que me deu uma nova chance para ser um pai melhor, e mostrou que Ele é o nosso Pai. Compartilho esta história que teve apenas um dos finais felizes. Alerto aos pais que tenham cuidado onde levam seus filhos, que os agentes envolvidos com a Saúde Pública deem atenção a uma possível epidemia. A doença provou ser letal sem o diagnóstico rápido e o tratamento no tempo certo”, alerta Ferreira.
A mãe Kellen relembra que o que os manteve em pé foi a fé em Deus.
“Eu tenho muita fé e sei que o meu Deus é o Deus do impossível, foi Ele que nos trouxe a nossa Julinha de volta”, constata a mãe.
Atualmente Júlia voltou as suas atividades normais e conta com o apoio de familiares, amigos e população que juntos fizeram corrente de oração para o restabelecimento da catanduvense.

Karla Sibro
Da Reportagem Local