Cidades

Aposentada De 72 Anos Conclui Ensino Médio E Cursa Engenharia

Mas decidiu seguir na contramão e hoje cursa o Ensino Superior

“Encontrei-me nos estudos, conheci gente maravilhosa, que olha para frente”

A aposentada de Catanduva, Allice Serafim, de 72 anos, voltou a estudar após a aposentadoria e agora busca diploma de engenheira. O Brasil registra atualmente 6 milhões de idosos analfabetos, segundo pesquisa divulgada em junho deste ano pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Mais da metade da população com mais de 25 anos não concluiu o Ensino Médio.
A aposentada fazia parte dessa estatística, mas decidiu seguir na contramão e hoje cursa o Ensino Superior. Assim que se aposentou, a moradora de Catanduva decidiu voltar à sala de aula. Concluiu o Ensino Médio e atualmente é caloura no curso de Engenharia de Produção. “Parei de estudar aos sete anos porque meu pai proibiu. Dizia que mulher não precisava estudar, que tinha que cuidar do marido. Eu via meus irmãos indo para escola e ficava triste. Eu nunca tinha desenhado, mas agora quero até desenhar minha casa, que ainda vou construir”, conta animada.
Allice foi casada, teve quatro filhos, trabalhou desde criança em serviços gerais, como faxineira, ajudante de cozinha. Para chegar à faculdade, leva mais de uma hora todo dia, parte do trajeto é feito a pé, mas é categórica: “Não é esforço algum. Já estudei com frio, com chuva, com dor, mas não perco uma aula. Ninguém me segura”, afirma a estudante.
Além de entrar para a faculdade, também fez cursos de informática, aprendeu a tocar violão e pretende aprender outra língua. “Encontrei-me nos estudos, conheci gente maravilhosa, que olha para frente. Quero estar dentro de uma empresa com uma pasta na mão, debatendo os assuntos. Nunca vou parar de sonhar”, garante a aposentada.
O coordenador do curso de Engenharia de Produção da faculdade Anhanguera de Catanduva, Nilton Romero, conta que ela é um exemplo para os alunos mais jovens. “É uma aluna assídua, não tem nenhuma falta no semestre. Vêm todas as semanas no laboratório. Durante as aulas, os outros alunos a ajudam, a respeitam”, revela o professor dizendo que ela motiva os outros alunos.
Além de se dedicar, Allice conta que busca incentivar as pessoas para que busquem conhecimento. “Quem tem chance de estudar, tem que correr atrás. Quanto tempo esse sonho ficou dentro de mim e agora estou realizando, todos podem então” finaliza Allice.

Ariane Pio
Da Reportagem Local