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A ANTENA DO SÍTIO DO LULA

Por: José Carlos Buch
As autoridades que investigam o caso “Sítio de Atibaia” descobriram que a operadora de celular “Oi” instalou uma antena há 100 mts do sítio que o país inteiro está  convencido pertencer ao Lula, mas ele e seus asseclas negam peremptoriamente e juram de  pés de juntos que isso não é verdadeiro. O curioso em mais esse episódio é que a antena, segundo os experts, é praticamente direcionada ao tal sítio, onde o sinal das outras operadoras praticamente não chega. E mais, é a única numa área praticamente rural e instalada fora dos padrões técnicos e geográficos. Tudo leva a crer que essa foi uma daquelas cortesias que só os políticos tem o privilégio de serem beneficiados e especialmente se estiverem no poder e influentes neles. No entanto, isso não é nenhuma novidade para a vizinha cidade de Itajobi. Certo sábado à noite do ano de 1989, Dr. Adib Jatene estava de passagem por Catanduva vindo de Barretos, juntamente com seu filho. Na chegada ao restaurante “A Cabana”, Jorge Biazolli, como sempre com o seu jeito escandaloso, saudou em voz alta logo que o renomado médico adentrou ao estabelecimento. Naquela mesma noite, Antonio Carlos Magalhães, então Ministro das Comunicações, teve um infarto do miocárdio e precisou ser removido à pressas para o INCOR em São Paulo. Dr. Adib foi localizado quando já se encontrava em sua fazenda em Itajobi e, no domingo de manhã já dava entrevista na TV, falando do estado de saúde do seu então célebre paciente. Por conta do infarto o ministro teve que se submeter à cirurgia cardíaca realizada à época com muito sucesso, mas que não impediu que passados 18 anos, ACM viesse a falecer aos 79 anos de insuficiência cardíaca, em 20 de julho de 2007. Essa é parte da história que está, inclusive, na “vikipedia”. Mas voltemos ao Dr. Adib, que teve que interromper a visita à sua Fazenda, por conta da enfermidade do ministro. Decorrido uma semana da cirurgia e vendo que transcorria tudo bem com o ilustre paciente, Dr. Adib em visita rotineira  ao quarto informou o ministro que, como ele estava muito bem, iria retornar à Itajobi para concluir a visita à Fazenda e resolver pendências com o seu gerente, que tiveram que ficar suspensas por conta do retorno rápido à capital. ACM, não querendo privar-se do acompanhamento do renomado médico, sugeriu que este telefonasse para o seu gerente e resolvesse tudo por telefone. Dr. Adib disse ser impossível, pois na Fazenda não havia telefone e observou que a propriedade ficava a alguns quilômetros da cidade. – “Mas como, não tem telefone”?  retrucou o ministro. – Pois agora vai ter! O fato é que poucos dias depois, numa certa manhã, aportou em Itajobi caminhões com antenas, equipamentos, engenheiro, técnicos e homens da então TELESP, e um telefone rural por rádio especialmente para uso na fazenda do médico. Os moradores da pequena Itajobi nunca haviam presenciado tamanho aparato e tamanha rapidez e, como tudo estava acobertado pelo manto do silêncio, ficaram sem entender nada. Seguramente Dr. Adib que era um homem íntegro, não pediu esse benefício ao ministro e provavelmente deve ter ficado até constrangido com tamanha benesse, numa época em que telefone era um produto de luxo e negociado a preço de ouro. O episódio mostra que naquela época o dinheiro público deixava de ser público para satisfazer caprichos de ministros. Lá como cá, não há muita diferença no modus operandi, e ambas podem ser entendidas como fazer cortesia com o chapéu alheio. ACM, um político bastante controvertido morreu sem nunca ter sido denunciado por esse episódio. Já o Lula, por se dizer o homem mais honesto do mundo, terá que explicar à Justiça não só por esta denúncia que está no pacote do famigerado sítio, mas  as tantas outras acusações que emergem a cada dia. A calhar o ensinamento do teólogo e escritor Frei Beto: – “O ser humano padece de duas limitações insuperáveis: defeito de fabricação e prazo de validade. É o que a Bíblia chama de “pecado original”. Sempre haverá homens e mulheres desprovidos de caráter, de princípios, dispostos a não perder a primeira oportunidade de enriquecimento ilícito.”

José Carlos Buch 
advogado tributário, www.buchadvocacia.com.br, buch@buchadvocacia.com.br