Cidades

64% dos Catanduvenses Dizem Abordar a Morte em Rodas de Conversa

48,6% disseram no levantamento que não estão prontos para lidar com a morte de outra pessoa (Divulgação)

Morte – uma palavra tão simples, mas tão repleta de significados. Algumas pessoas evitam usá-la ao extremo, enquanto que outras levam bom humor até mesmo para falar sobre o tema. Enquete realizada pela reportagem de O Regional mostra que 64% dos catanduvenses dizem abordar a morte nas rodas de conversa. Outros 36% preferem não tratar sobre o assunto.
No Brasil, o resultado é inverso, com cada vez mais pessoas deixando de debater o tema. Pelo menos é o que aponta pesquisa encomendada pelo Sindicato dos Cemitérios e Crematórios Particulares do Brasil (Sincep) e realizada pelo Studio Ideias. No levantamento 73% dos brasileiros consideram esse tema um tabu.
Outro dado importante, que pode até mesmo ter relação com essa restrição é que 82,4% da população acha que não tem nada mais sofrido do que a dor de perder alguém. 79% pensam que não existe hora certa e outros 63% acham que a tristeza está associada à morte. Outros 48,6% disseram no levantamento que não estão prontos para lidar com a morte de outra pessoa e 30% têm muito medo de morrer.
Solange Aguiar Fonseca, de 40 anos, aponta que não tem dificuldade em falar sobre o tema. “Eu não tenho problemas. Falo abertamente, inclusive sobre a possiblidade de doar meus órgãos caso tenha morte cerebral. Acredito que tudo nessa vida é uma passagem, assim como a vida, por isso temos que plantar sempre o bem nessa caminhada, porque é passageira”, comenta.
João Guilherme Santana, de 25 anos explica que o problema é enfrentar a morte de um ente querido. “Se eu morrer, faz parte, acontece. É a única certeza da vida. Mas perder pessoas que amamos, de uma forma repentina, drástica, machuca, porque o ente querido varia embora, mas nós ficamos e com o emocional abalado”, opina.
O especialista em psicologia clínica, Breno Rosostolato, aponta que a morte é um desfecho de um ciclo e que existe vida após a morte por meio das lembranças e memórias da pessoa que se foi. “As raízes criadas pelo ente querido que se foi faz com que ele seja homenageado através da saudade. A morte só é angustiante para quem a espera. Não se deve viver condicionado à morte, mas é inevitável que a possibilidade de morrer faça com que valorizemos a vida e o que se vive. A morte é a celebração da vida e para quem fica é importante ressignificar-se através da falta de quem se foi. Não à toa, se fala que ‘foi desta para melhor’, porque, a doença, a dor, o sofrimento estão aqui, e morrer é a anulação de todo o mal. A redenção necessária para a transição do tormento para a paz eterna”, fala.
Ele também comenta que o luto deve ser vivenciado sem restrições. “Ou seja, chore, sofra e recorde as situações vividas ao lado da pessoa. Desapegue do egoísmo de tê-la ao seu lado, porque nesta vida, nada é para sempre. Cultive a sua vida e faça o necessário para ser feliz e recomece uma nova caminhada, sabendo que você não está sozinho. Nada melhor para enaltecer o respeito àquele que se foi, é seguir a própria vida”, comenta.

Cíntia Souza
Da Reportagem Local