Vulnerabilidade que não vê classe social

A prisão efetuada pela DIG de Catanduva, relatada em reportagem desta edição, colocou fim à comercialização da chamada “maconha gourmet” por um homem que residia em um edifício de Catanduva. O produto é quimicamente potencializado, vendido a preços exorbitantes, o que expõe uma faceta perigosa e muitas vezes ignorada do consumo de entorpecentes: a sua capacidade de permear todas as camadas sociais. Este tipo de substância, que pode custar até 50 vezes mais que a maconha comum, é especificamente direcionado a um público com alto poder aquisitivo, mas o perigo inerente ao vício é universal. A atração inicial por substâncias "gourmet" ou "potencializadas" reside frequentemente na curiosidade e na busca por efeitos intensificados, algo que fascina jovens em ambientes de maior privilégio, acostumados ao acesso a produtos exclusivos. Contudo, essa busca por novidade esconde um risco gravíssimo: o vício. Uma vez instalada, a dependência química não reconhece extrato bancário ou status social. O ciclo destrutivo do uso contínuo traz consigo consequências devastadoras para a saúde física, mental e para as relações familiares e sociais. O perigo reside no fato de que a droga, independentemente de sua apresentação, é um agente tóxico que desregula o sistema nervoso central. Para jovens de alta renda, o vício pode ser ainda mais insidioso, pois o poder aquisitivo pode mascarar os problemas iniciais, permitindo a manutenção do uso por mais tempo antes que a intervenção familiar ou social ocorra. É fundamental que a sociedade, especialmente pais e educadores, compreenda que o acesso a recursos financeiros não confere imunidade contra o vício. A mensagem deve ser clara: o uso de drogas, em qualquer nível de sofisticação ou preço, representa uma ameaça à vida e ao futuro. A luta contra o tráfico deve ser contínua. 

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Da Redação
Direto da redação do Jornal O Regional.