Violência contra jornalista é violência contra a democracia
A história ensina que existem limites que não podem ser ultrapassados. A violência é sempre condenável, mas quando se volta contra um jornalista, o ataque deixa de ser individual e passa a atingir a própria democracia. A imprensa é um dos pilares do equilíbrio institucional, pois fiscaliza o poder, denuncia abusos e expõe à sociedade os desvios, a corrupção e as mazelas que muitos prefeririam manter ocultas.
O Brasil já viveu momentos em que a violência tentou silenciar vozes incômodas. O caso do jornalista Vladimir Herzog, morto nas dependências do DOI-CODI em São Paulo, tornou-se um marco da reação da sociedade contra o arbítrio. Mesmo sob a versão oficial de suicídio, a indignação pública foi imediata. O então presidente Ernesto Geisel acabou afastando o general Ednardo D’Ávila Mello, em um episódio que simbolizou a pressão da sociedade contra os abusos do regime endurecido após o Ato Institucional nº 5.
O velório de Herzog transformou-se em manifestação cívica. O discurso do jornalista Audálio Dantas e o ato ecumênico na Catedral da Sé reuniram milhares de pessoas em defesa da democracia e do respeito à cidadania. Ali ficou claro que a violência contra a imprensa não seria aceita em silêncio.
Décadas depois, qualquer ameaça contra jornalistas continua sendo um alerta grave. O episódio envolvendo o jornalista Lauro Jardim, colunista de O Globo, mostra que a intimidação ainda é usada como tentativa de calar o jornalismo investigativo. Quando alguém tenta constranger ou agredir um jornalista, o alvo real é o direito da sociedade de ser informada.
A lição da história permanece atual: uma democracia forte exige imprensa livre e protegida. Quando a violência surge para impor o silêncio, a resposta da sociedade deve ser exatamente o contrário — mais liberdade, mais transparência e mais responsabilidade pública.
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