União Cívica Estudantil de Catanduva (II)

Durante muitas reuniões da UCEC, o assunto sobre a criação de uma faculdade em Catanduva foi debatido e programou-se então uma passeata pelas ruas da cidade, com os membros do grupo, também conhecidos como “ucequianos” e outros grupos de estudantes devidamente convidados, visando com isso sensibilizar os políticos e o povo catanduvense. Era isso, inclusive, que trazia em notícia o jornal A Cidade, de 20 de julho de 1965, que informava: “Com a participação de estudantes de todas as escolas da cidade, além de representantes das agremiações estudantis, realizar-se-á sábado próximo uma grande passeata, sob os auspícios da comissão encarregada de enfrentar o problema da instalação de uma faculdade em Catanduva”.

A passeata, que culminaria com um “meeting” na Praça da República, iria marcar o início do oportuno movimento estudantil que já vinha atraindo a simpatia da população. A etapa seguinte previa entrevistas dos estudantes com personalidades dos meios oficiais, diretores de entidades representativas, entre outros, visando o apoio à referida campanha, enquanto prosseguiam as visitas às cidades vizinhas para tomada de contatos com estudantes da região. Já se cogitava, inclusive, a possibilidade de uma outra grande passeata, em setembro ou outubro com a participação de representações estudantis de outras localidades.

A tal passeata se realizou em um sábado pela manhã, que teve como ponto de encontro a esplanada da Estação, às 10 horas da manhã. Entusiasmados, muitos associados reuniram-se com seus cartazes ao lado da Estação Ferroviária, que se encontrava no local, a Bandinha da Legião Mirim.

Mas logo na saída, começaram os desânimos. Os estudantes convidados não compareceram, mas mesmo assim, o grupo subiu a rua Maranhão, virou a rua Minas e desceu a rua Brasil, com apenas dois cartazes e enfrentando as vaias de universitários na Praça da República.

Sobre o fato, noticiou o jornal A Cidade, de 25 de julho de 1965: “[...] o desfile teve início por volta das 10:30 horas, tendo percorrido o itinerário previsto [...] Com a participação apenas dos elementos que compõem a comissão e de um pequeno número de estudantes, a passeata não recebeu a devida colaboração da classe estudantil de nossa cidade”.

Rádio Difusora

O comício que deveria ter lugar na Praça da República não se realizou, tendo os estudantes Afonso Celso Alexandrino e Flávio Steinbruch comparecido mais tarde à Rádio Difusora, onde fizeram uso da palavra, protestando contra a falta de apoio de seus colegas, agradecendo a colaboração do comércio e dos veículos de divulgação.

Na mesma oportunidade, esteve na emissora o deputado Orlando Zancaner, que acompanhava com simpatia o movimento dos estudantes. O deputado também fez uso da palavra, lamentando a pequena afluência dos jovens, mas assegurando que a campanha pró-faculdade podia se considerara vitoriosa, pois assumia o compromisso de conseguir do Sr. Governador do Estado de São Paulo, já para o próximo ano. Seu propósito era promover a instalação no prédio do antigo Ginásio do Estado (atual FATEC), que estava sendo objeto de ampla reforma no qual o governo do Estado estava começando a investir uma verba de 90 milhões de cruzeiros.

Referindo-se ao impressionante volume de obras e serviços que o Estado estava executando em Catanduva naquela época, frisou a necessidade da união de todos os catanduvenses na consecução do funcionamento da Faculdade de Filosofia.

A faculdade

Para entender um pouco melhor essa questão da instalação de uma faculdade em Catanduva, vale levar em conta uma notícia do jornal A Cidade, de 11 de março de 1963, onde lia-se: “Criada, que foi, recentemente, a Faculdade de Filosofia de Catanduva, como o que se atendeu a uma das mais antigas aspirações desta cidade e região, voltaram-se as vistas dos nossos homens públicos para o objetivo consequente: a imediata instalação do importante ensino superior”.

Instado por uma comissão de políticos locais, o então governador Adhemar de Barros determinou que se providenciasse a imediata instalação da Faculdade de Filosofia, nomeando o seu primeiro diretor, o Professor Jorge Nagle, catedrático de Pedagogia da Faculdade de Filosofia de Araraquara. Pronunciada a aula inaugural no auditório do Instituto de Educação Barão do Rio Branco, com grande alarido publicitário dos adhemartistas locais, a Faculdade de Filosofia, recém-criada, jamais foi instalada, ficando Catanduva desprovida de escolas de ensino superior pelo poder público, tanto estadual como federal.

A Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Catanduva, como autarquia municipal, viria somente alguns anos depois, graças a atuação do Prefeito José Antonio Borelli, seguindo a Faculdade de Medicina, que nunca teria sido implantada não fosse a insistência do saudoso Padre Albino, subordinada a uma Fundação organizada.

A desculpa da não instalação pelo governo seguinte foi aquela mais esfarrapada e muito utilizada pelos governantes: falta de dotação orçamentária.

A FAFICA, estruturada com quatro cursos – Pedagogia, Geografia, História e Letras – foi criada pela Lei Municipal Nº 792, de 29 de julho de 1966 e transformada em entidade autárquica municipal pela Lei Nº 803, de 02 de setembro de 1966. Autorizada a funcionar pelo Decreto Estadual Nº 47.886, de 07 de abril de 1967, teve seu Concurso de Habilitação realizado em uma só época, de 15 a 21 de abril de 1967.

Nesse concurso foram habilitados 57 para o curso de História; 40 para o curso de Geografia; 54 para o curso de Pedagogia; 40 para o curso de Letras. No dia 23 de abril de 1967 foi proferida a aula inaugural pelo ilustre conselheiro, Professor Dr. Carlos Henrique Robertson Liberalli, do Conselho Estadual de Educação.

Fim da UCEC

Com a promessa da instalação em 1966, que não aconteceu, vários estudantes já tiveram que iniciar sua carreira universitária em outras localidades e foram se dispersando. Outros chegaram, mas não com aquela força desde então. Mesmo assim, continuaram com suas reuniões, brincadeiras e atividades em prol dos da comunidade.

De acordo com o professor Sérgio Luiz de Paiva Bolinelli, em seu Boletim Só 10, “(...) não sei até quando durou a UCEC, como parou e porque parou. Só sei que na última reunião com as presenças registradas, em 03 de julho de 1966, anotada em um livro que está aqui no Museu Padre Albino, lá estavam: Ademar Ribeiro da Silva (Barbosa), José Luiz Tucci, Mara Clara Sales, Maria Heloisa Sales, Djalma Bergamasco, Manoel Gaspar, Sérgio Luiz de Paiva Bolinelli e Milton Silva”.

Fonte de Pesquisa:

- Boletim Só 10, Ano IV, Nº 47, de novembro de 2009, elaborado pelo professor Sérgio Luiz de Paiva Bolinelli.

- Jornal A Cidade, de 20 de julho de 1965.

- Jornal A Cidade, de 25 de julho de 1965.

- Jornal A Cidade, de 11 de março de 1963.

Fotos:

Foto tirada durante um jogo de pingue pongue realizado no Clube dos Bancários. O campeonato foi idealizado pela UCEC

Prefeito Municipal José Antonio Borelli é homenageado por amigos e funcionários da Prefeitura, no ano de 1967, pela conquista da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Catanduva. Na foto da esquerda para a direita: Eunice Baságlia, Ismar Gabriel Aun, Wilson Trida, José Antonio Borelli, Venâncio Lima Ferreira, Paschoal Homero Bocchio, Pedro Gomes e Laurindo Faragutti

Na foto vemos a ata da fundação da FAFICA – Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Catanduva – e as figuras da Irmã Raquel, José Antonio Borelli, Pedro Soto, Paulo Henrique e Édie Frey

No dia 23 de abril de 1967 foi proferida a aula inaugural na FAFICA pelo ilustre conselheiro, Professor Dr. Carlos Henrique Robertson Liberalli, do Conselho Estadual de Educação

Autor

Thiago Baccanelli
Professor de História e colunista de O Regional.