Um tiro ao alvo no esporte

Um dos esportes que requer grande disciplina, atenção e treinamento é o tiro ao alvo. Esporte rápido, envolvendo precisão e velocidade no manejo de uma arma de fogo ou de ar comprimido, teve grande destaque em Catanduva em anos mais remotos.

Visto por algumas pessoas como um esporte burguês, já que necessita de todo um equipamento para a realização de tal modalidade esportiva (equipamentos que não são tão baratos), a trajetória deste esporte não esteve apenas ligada à pessoas com um padrão econômico mais elevado.

Brasil

O esporte do tiro surgiu no Brasil em meados do século XIX, com a vinda de vários imigrantes europeus, principalmente alemães e italianos, que foram se aglutinando na região sul do Brasil.

Como era costume nos terrenos europeus a realização dessas competições que envolviam o tiro e tendo como alvo a figura de um animal vivo, um alvo a ser caçado, foram fundados em solo brasileiro diversos clubes de caça e pesca, dando início, assim, ao tiro esportivo em nossa pátria. Vale destacar que o Exército sempre teve participação decisiva através dos Tiros de Guerra do Exército.

Ao longo do tempo, esses clubes foram se desenvolvendo cada vez mais, sendo criada, em 1906, por exemplo, a Confederação do Tiro Brasileiro, que reunia todas as sociedades e clubes de tiro existentes, sendo todas subordinadas ao Exército.

Catanduva

Em Catanduva, podemos notar dois grandes momentos do tiro ao alvo: um primeiro que corresponde o fim da década de 1940 e toda a década de 1950 e outro momento, em grande parceria com o Clube de Campo de Catanduva, dos anos 1970 até o final de 1990, onde o esporte foi perdendo o significado dentro da cidade.

Nesse primeiro momento, sob a sigla ACTA – Associação Catanduvense de Tiro ao Alvo – várias competições foram ganhadas pelos participantes dessa grande equipe. Dentre os membros, se destacavam o Dr. José Dias Lima, Antonio Gutierrez Molina, Paulino Corradi e o tenente Waldemar Castilho de Oliveira.

Posteriormente, essa prática contou com outro momento de destaque, onde sua história acaba se cruzando com a própria história do Clube de Campo de Catanduva.

Clube de Campo Catanduva

No ano de 1978 foi inaugurado, dentro do Clube de Campo Catanduva, em 25 de fevereiro, um grande e preparado estande para atender os adeptos de tal modalidade esportiva.

A cerimônia inaugural se deu com a distribuição de armas e troféus que o tenente Castilho conseguiu na Federação, em São Paulo. Tenente Castilho sempre foi um dos grandes entusiastas do esporte em Catanduva e esteve muito ligado ao esporte em Catanduva.

Havia tempos que a própria diretoria do Clube de Campo já vinha estudando a possibilidade da concretização desse objetivo, que foi alcançado com muito êxito, tendo destaque na participação deste feito os diretores Devair Rodrigues Goulart, Ademir Rodrigues Goulart, Hélio Pereira Martins, tenente Castilho e família Canozzo.

Campeonatos

A partir da instalação desse estande, vários campeonatos foram sendo realizados dentro e fora do clube, mostrando que o estande correspondia às exigências do período.

As provas eram dos mais variados tipos, participando homens e mulheres. Elas eram divididas em diversas modalidades: revólver de calibre 38 ou 32, com distância de 25 metros e possuindo 05 disparos de ensaio e mais 30 de prova; poderia ainda ser revólver de calibre 22, com distância de 25 metros, 05 tiros de ensaio e mais 30 de prova; e ainda, a modalidade se dividia em adulto, damas e júnior, para que ninguém saísse prejudicado em uma competição.

Sempre tendo em mente o desenvolvimento dessa modalidade esportiva, o mesmo clube adquiriu, posteriormente, dez máquinas modernas de pressão (chumbinho) para despertar nos jovens de Catanduva e região o interesse pelo tiro ao alvo.

Como homenagem ao tenente Castilho, que sempre esteve presente e influenciando de maneira positiva tal esporte, a diretoria do Clube de Campo Catanduva deu seu nome ao estande de tiro ao alvo do clube. Durante a cerimônia, várias autoridades estiveram presentes no local. Tomando a palavra, o diretor do tiro ao alvo no Clube de Campo, o Sr. Luis Henrique Lahr, foi-se feito um pequeno histórico da importância da figura do tenente Castilho no movimento do tiro ao alvo em Catanduva, bem como sua importância para o próprio clube.

Dentre os principais destaques nesse segundo momento de tiro ao alvo, além do tenente Castilho, pode-se encontrar uma grande equipe que ganharam várias competições, entre eles Júlio Nakamoto, Elenice Canozzo Lahr, Luís Henrique Lahr, Daniel Dalto Júnior, Carlos A. Marconi e João A. Catalani.

Fonte de Pesquisa:

- Material pesquisado no acervo do Centro Cultural e Histórico Padre Albino.

Fotos:

Jogos Abertos do Interior, realizado na cidade de Rio Claro/SP, em 1986. Na foto, equipe de tiro ao alvo representando Catanduva, que foi vice campeã. Na foto, temos, da esquerda para a direita: Júlio Nakamoto, Elenice Canozzo Lahr, Luís Henrique Lahr e Daniel Dalto Júnior

VII Campeonato Popular de Tiro ao Alvo, realizado no estande do Clube de Campo Catanduva, em 30 de setembro de 1979. Na foto, grupo de esportistas que participaram dessa fase do campeonato, com suas respectivas medalhas e troféu

Prova Dr. Adhemar de Barros, por ocasião do IV Centenário de São Paulo, em 1954, no Clube de Regatas Tietê. Na foto, chegada da delegação catanduvense da Associação Catanduvense de Tiro ao Alvo, na estrada ferroviária local. Da esquerda para a direita, temos: Luiz Canal, prefeito Dr. Ítalo Záccaro (com a taça conquistada como campeão da prova), Paulino Corradi, tenente Waldemar Castilho de Oliveira, Antonio Gutierrez Molina e Dr. Benedito de Siqueira Cardoso

Estande do Clube de Campo de Catanduva, durante o VIII Campeonato Popular de Tiro ao Alvo, em 30 de setembro de 1979, onde pode-se observar o grande número de assistentes e participantes da referida competição

Participantes da ACTA – Associação Catanduvense de Tiro ao Alvo durante a 1ª Prova de Carabina 22, no estande da Vila Juca Pedro, em 26 de março de 1950. Na foto, temos, Dr. José Dias Lima (2º colocado), Antonio Gutierrez Nolina (4º colocado), Paulino Corradi (11º colocado) e tenente Waldemar Castilho de Oliveira (1º colocado)

Autor

Thiago Baccanelli
Professor de História e colunista de O Regional.