Soberania em Saúde
O Ministério da Saúde iniciou a distribuição nacional do primeiro lote de 673 mil doses da vacina contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), um passo crucial para proteger os grupos mais vulneráveis, como as gestantes a partir da 28ª semana. Este acesso universal e gratuito, garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS), é um testemunho do compromisso com a saúde pública. No entanto, o aspecto mais estratégico desta iniciativa reside no acordo firmado entre o Instituto Butantan e o laboratório produtor. A transferência de tecnologia assegurada por este pacto não é apenas um detalhe logístico; ela representa a consolidação da soberania sanitária brasileira. Ao capacitar o país para fabricar o imunizante, o Brasil garante autonomia no fornecimento, reduzindo a dependência de mercados internacionais, controlando os custos. A disparidade de preços ilustra bem essa vantagem: enquanto a dose custa ao sistema público o valor negociado, na rede privada ela pode alcançar até R$ 1,5 mil. A capacidade de produção nacional transforma um bem de alto custo em um direito acessível. Este caso da vacina VSR deve servir de modelo para todos os segmentos: investir massivamente em pesquisa, desenvolvimento e inovação tecnológica nacional é um imperativo estratégico. Seja na área farmacêutica, biotecnológica ou em qualquer setor de ponta, a dependência externa torna o país vulnerável a crises e restrições de acesso. O desenvolvimento científico local, fomentado por políticas públicas consistentes, não só salva vidas com vacinas acessíveis, mas também gera conhecimento, empregos qualificados e fortalece a economia.
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