Sinais de Alerta

Pode ser que, em algum momento de nossas vidas, descobrimos que alguém próximo está pensando em suicidar-se em decorrência de uma grande dor. Diante dessa situação, o sentimento de impotência pode se fazer presente, fazendo-nos acreditar que não há como intervir, uma vez que a pessoa parece já ter decidido encerrar a própria vida. Entretanto, existem diversas maneiras de auxiliar essa pessoa.

Pode ser também que os sinais de que uma pessoa esteja precisando de ajuda não sejam tão evidentes. As pessoas que se mostrassem tristes, desanimadas ou muito agitadas, queixosas, irritadiças, que perderam o interesse e o prazer nas coisas de costume, que tiveram alteração no sono e apetite são mais facilmente identificadas. Por outro lado, as que nos parecessem alegres, sorridentes e serenas seriam descartadas de imediato.

Acontece que identificar quem está em sofrimento não é assim tão simples. As pessoas podem conviver sem demonstrar os sinais de sua dor psíquica em suas ações. A irmã, sempre sorridente e brincalhona; o colega tão paciente e cordato; a amiga gentil e conselheira; podem estar vivendo conflitos internos inimagináveis, guardando para si toda a tristeza e angústia, sem relevar nenhum de seus sentimentos para ninguém.

Um diálogo aberto, respeitoso, empático e compreensivo pode fazer a diferença. Procurar saber como a pessoa está, o que tem feito ultimamente, como está se sentindo. O foco da conversa deve ser o outro, portanto, não é recomendável: falar muito sobre si mesmo, oferecer soluções simples para os problemas que a pessoa relatar ou desmerecer o que ela sente.

Essa conversa pode obter melhores resultados se for feita em um lugar tranquilo, sem pressa, respeitando o tempo da pessoa para se abrir. Caso a pessoa se sinta à vontade para compartilhar o seu sofrimento, não é indicado: rechaçar (“Credo!”), esboçar expressões de choque (“Não acredito que você tá pensando nisso!”) e reprimir, caso o choro venha (“Pra que chorar? Você sempre teve tudo do bom e do melhor!”).

A escuta ativa deve sempre estar presente nesses diálogos. Uma escuta ativa consiste em realmente ouvir e compreender o que o outro diz, não apenas esperar uma pausa para poder respondê-lo. Isso não significa, no entanto, deixar a pessoa falando sozinha. Algumas pontuações que podem ser feitas consistem em: fazer perguntas abertas; fazer um breve resumo do que a pessoa falou, de tempos em tempos, para que ela saiba que você está atento ao que ela diz; retornar a algum ponto que não tenha ficado claro e tentar, ao máximo, escutá-la sem julgamentos.

Oferecer suporte emocional e informar sobre a ajuda profissional, bem como se mostrar à disposição, caso ela queira conversar novamente, são pontos importantes. Se a pessoa falar claramente sobre os seus planos de se matar e parece estar decidida quanto a isso, é primordial que ela não seja deixada sozinha. Podem ser contatados os serviços de saúde mental e familiares/amigos da pessoa. Pode ser necessário que ela fique em um ambiente seguro, sendo auxiliada por um profissional.

Se você perceber que a pessoa não se sente à vontade para se abrir, deixe claro que você estará disponível para conversar em outras oportunidades. Você também pode indicar os serviços oferecidos pelo CVV, disponível em https://www.cvv.org.br/, que trabalha para promover o bem estar das pessoas e prevenir o suicídio, em total sigilo, 24h por dia.

Autor

Ivete Marques de Oliveira
Psicóloga clínica, pós-graduada em Terapia Cognitivo Comportamental pela Famerp