Risco silencioso

A Secretaria de Meio Ambiente e Agricultura de Catanduva merece reconhecimento pela ação contínua de recolhimento de pneus inservíveis, com o encaminhamento de mais de 90 mil unidades para descarte ambientalmente correto ao longo de 2025. Este esforço logístico, contabilizando 61 coletas solicitadas, demonstra compromisso ativo com a sustentabilidade. No entanto, o foco principal desta questão não deve ser apenas o volume recolhido pelo poder público, mas sim a conscientização da população sobre a importância de destinar corretamente este resíduo. O pneu usado, quando abandonado em terrenos baldios ou descartado inadequadamente, transcende a poluição visual e a ocupação de espaço. Ele se transforma em um vetor de risco direto à saúde da comunidade. Em um país tropical como o nosso, o pneu que acumula água parada é o ambiente ideal para a proliferação do Aedes aegypti, o mosquito transmissor de doenças graves como dengue, zika e chikungunya. A negligência individual, neste caso, tem potencial epidêmico. O fato de o descarte correto ser gratuito e centralizado no barracão da rua São Paulo, 888, elimina qualquer justificativa plausível para o descarte irregular. A prefeitura está oferecendo a solução; cabe ao cidadão fazer a sua parte. A gestão ambiental de uma cidade de 120 mil habitantes exige a colaboração de todos. Enquanto os números de coleta demonstram que uma parcela significativa da população já está engajada, o desafio reside em alcançar aqueles que ainda veem o pneu velho como um "lixo comum" a ser deixado em qualquer lugar. Preservar o meio ambiente e proteger a saúde coletiva contra vetores de doenças é uma responsabilidade compartilhada. É fundamental que cada morador entenda que o ato simples de levar o pneu ao local correto é um gesto de cidadania ativa e um investimento direto na qualidade de vida de toda a cidade.

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Da Redação
Direto da redação do Jornal O Regional.