Retorno quase invisível
O Impostômetro, ao marcar R$ 1 trilhão em arrecadação nacional em apenas uma fração do ano, com R$ 46,5 milhões registrados em Catanduva, expõe a colossal carga tributária que recai sobre o contribuinte brasileiro. Esse valor astronômico, composto por impostos, taxas e contribuições, não é apenas um número frio no painel da Associação Comercial de São Paulo; ele representa o sacrifício diário de cada trabalhador e empreendedor que cumpre seu dever fiscal. O fato de o valor ter sido atingido três dias antes do que no ano anterior sinaliza uma aceleração no ritmo de drenagem de recursos, sem que haja uma correspondente melhoria na qualidade de vida. A grande chaga do sistema brasileiro reside no descompasso gritante entre o que é arrecadado e o que é efetivamente entregue. Em cidades como Catanduva, a população usa as redes sociais para protestar contra problemas crônicos: ruas esburacadas que danificam veículos, praças tomadas pelo mato alto e serviços públicos que se arrastam sem solução. O cidadão paga impostos como se estivesse comprando um serviço de primeira linha, mas recebe uma infraestrutura que reflete abandono e má gestão. Essa disparidade alimenta um sentimento generalizado de injustiça e desconfiança nas instituições. Quando o dinheiro do contribuinte é consumido por burocracia, ineficiência ou, pior, por esquemas de corrupção que desviam recursos para obras fantasmas, a motivação para a conformidade fiscal despenca. Por que se esforçar para pagar em dia se o retorno é a manutenção do descaso? Superar este ciclo negativo exige transparência absoluta sobre onde cada centavo é gasto. A população, que demonstrou sua capacidade de arrecadar trilhões, precisa exigir, com a mesma veemência, a fiscalização implacável dos gastos públicos. A leveza que o cidadão busca não virá apenas de um alívio na carga tributária, mas da certeza de que cada real pago se traduzirá em asfalto liso, praças cuidadas e serviços públicos eficientes. A hora de cobrar o retorno do investimento é agora.
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