Regularização do sonho

A notícia da regularização fundiária de imóveis no Parque Flamingo, em Catanduva, após mais de três décadas de espera, é uma vitória que ressoa muito além da simples posse de um documento. Ela representa a conversão da incerteza em segurança, da precariedade em pertencimento. A casa própria não é apenas um ativo financeiro; é o alicerce invisível da vida familiar. É no lar seguro que a união se fortalece, pois a estabilidade do teto protege a família das intempéries sociais e econômicas. É o espaço onde o crescimento pessoal e o planejamento de longo prazo se tornam possíveis, pois o indivíduo passa a investir em um patrimônio que é inequivocamente seu. Para as famílias do Flamingo, a escritura significa, finalmente, poder sonhar com reformas, com a educação dos filhos e com a paz de ter um lugar garantido no mundo. No entanto, a celebração dessa conquista é inevitavelmente temperada pela crítica à lentidão do poder público. Trinta anos de espera por um direito fundamental é um lapso de tempo inaceitável. Essa demora expõe um passivo histórico de ineficiência e burocracia que penaliza diretamente quem mais precisa de amparo estatal. A solução técnica e jurídica encontrada pela Coordenadoria de Habitação é louvável, mas ela chega como um alívio tardio para gerações que viveram sob a sombra da insegurança jurídica. Que o caso do Parque Flamingo sirva de lição amarga: a máquina pública precisa de mais agilidade e foco no cidadão. A moradia digna é um direito, e a celeridade na sua entrega é um dever. Que a segurança conquistada por essas famílias inspire um compromisso renovado com a eficiência, garantindo que os próximos marcos de progresso em Catanduva não demorem tanto assim para se concretizarem.

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Da Redação
Direto da redação do Jornal O Regional.