Quem vence a guerra?

Estamos tão costumados a ver guerras e outros tipos de conflitos em todo o mundo que, sem perceber, começamos a esquecer dessas pessoas que são colocadas na linha de frente.

Vemos nas notícias que os Estados Unidos estão em guerra com o Irã, a Rússia em guerra com a Ucrânia, fora guerras mais locais, igualmente tristes, mas acabam não falando do principal: as pessoas que estão morrendo desnecessariamente.

Surgiu-me a ideia de escrever esta crônica ao ver uma notícia, na televisão, que mostrava uma fila de soldados estadunidenses partindo para a guerra, me peguei pensando em quantos desses estarão de volta para suas famílias.

Enquanto esses poderosos estão em suas salas decidindo se começam ou prolongam uma guerra, essas pessoas uniformizadas estão como fantoches aguardando se serão, ou não, jogados no campo de batalha, muitas vezes contentes, infelizmente, convencidos por uma hierarquia, disfarçada de patriotismo, que lhes coloca como inimigos de quem sequer conhecem.

E no fim, as guerras são ganhas pelo país que mais mata ou que mais coloca medo, que faz ataques mais estratégicos. Mas os seres humanos que estão envolvidos na guerra sempre, importante frisar, sempre saem perdendo porque ou perdem a vida, ou uma parte do corpo, ou voltam com a lembrança de pessoas que tiveram que matar e pessoas que viram morrer.

Deve ser doloroso quando cai a ficha, e aquele jovem percebe que matou outro jovem de outro país, apenas porque algum superior hierárquico mandou fazê-lo. Ele não tinha nada contra esse jovem, nem o conhecia, e talvez se conhecesse, em uma situação de paz, poderiam até ser grandes amigos.

A guerra não é de todos contra todos, mas sim de poucas pessoas influentes que querem ainda mais poder e, com isso, envia essas pobres almas a um conflito desumano e sem sentido.

Sem contar que esses soldados poderiam ser grandes cientistas, artistas, inventores, médicos, escritores, enfim, tantas atividades para mudar o mundo para melhor, para a sociedade evoluir.

E mesmo não sendo nada disso, com certeza são muito na vida de alguém, parentes, amigos, sem contar o seu direito em si de viver bem, em paz, trabalhar, ter lazer, se aposentar.

Ou seja, mesmo quem "ganha" a guerra, causa uma grande derrota em cada um de seus cidadãos, e o mundo inteiro perde ao testemunhar pessoas matando outras, sob ordem de outras pessoas que não saem da sala com ar-condicionado. Uma guerra não tem vencedores!

Autor

Evandro Oliveira Tinti
Advogado, mestre em Direito e professor de Direito do Trabalho