Quando o corpo reage: prevenção de alergia

As alergias são reações exageradas do corpo a alguma coisa normalmente inofensivas como poeira sementes, ácaros e animais. Uma criança que come amendoim e começa a ter falta de ar, por exemplo está apresentando uma reação alérgica. Essas reações podem causar falta de ar, coriza, olhos vermelhos, coceira, manchas altas e vermelhidão no corpo todo, e às vezes são tão fortes que podem causar choque anafilático e levar à morte. Justamente por serem tão graves e afetarem a qualidade de vida da pessoa com alergia, a prevenção é tão importante.

Para entender melhor a reação alérgica, imagine que o corpo tem um pequeno exército chamado "sistema imune" formado por várias células. Algumas células desse exército podem liberar uma substância chamada de anticorpo, que age em vírus, bactérias e outros micro-organismos para proteger o corpo contra esses minúsculos invasores. Na alergia ocorre uma superprodução desses anticorpos quando pequenas partículas, ácaros, pólen, poeira, alimentos e várias outras substâncias entram em contato com o corpo e esse pequeno exército identifica essas partículas simples como tóxicas para o corpo. Pronto, isso é a faísca necessária para que o sistema imune entre em modo alerta e recrute todo um batalhão de células para uma pequena causa. O que o corpo define como alérgeno, a substância que causa a alergia, pode ocorrer na infância, ou pode ser desenvolvido ao longo da vida por exposição repetitiva.

A prevenção da alergia pode ser feita em três momentos principais: antes da pessoa ter qualquer alergia (prevenção primária), depois da pessoa já ter uma alergia mas antes de ter uma crise alérgica (prevenção secundária) e depois do início de uma crise alérgica (prevenção terciária). A prevenção primária é feita no início da vida do bebê, para impedir que o sistema imune reaja "errado" por estar fraco ou por estar sendo obrigado a agir antes da hora. Para isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda o aleitamento materno exclusivo até os seis primeiros meses de idade, consumo de alimentos naturais, frutas, verduras e muita fibra em vez de alimentos processados e evitar expor o bebê a pó, ácaros, pelos de animais e fungos até os cinco anos de idade. A prevenção secundária envolve a identificação do que causa alergia e evitar a exposição a esses agentes. A prevenção terciária envolve retirar do ambiente aquilo que causa a alergia e o controle dos sintomas com remédios antialérgicos.

Alergias são grandes problemas se não forem tratadas. Dentro do sistema público de saúde, qualquer paciente pode buscar uma unidade de saúde (UBS ou USF) e marcar uma consulta para investigar a existência de alergias e discutir a melhor forma de tratamento, o que muda de pessoa para pessoa, além de retirar comprimidos antialérgicos no programa Farmácia Popular sob apresentação de receita. Em casos de crises inesperadas, deve-se procurar uma unidade de pronto atendimento para que a reação seja controlada rapidamente, evitando choques. Para pessoas que estão esperando bebês, é incentivado que conversem com o médico sobre alergias, tirem dúvidas e formam metas para aumentar a imunidade do bebê e evitar alergias.

Apesar de todos os tratamentos para pessoas que já alérgicas, a melhor coisa a se fazer ainda é a prevenção, o que deve ser feito principalmente ainda dentro da primeira infância. A manutenção da saúde geral, hábitos saudáveis, uma boa alimentação e um ambiente limpo são as melhores formas de realizar a prevenção e assim, manter também a saúde para toda a vida.

Ana Carolina Tiradentes – 2º ano medicina

Sofia Milan Salous - 2º ano medicina

Autor

Doses de Informação - Fameca/Unifipa
Pílulas mensais sobre a saúde | Projeto de Extensão Universitária da Faculdade de Medicina de Catanduva - Unifipa | Orientadoras: Prof.ª Dr.ª Adriana Sanchez Schiaveto e Prof.ª Ma. Juliana Guidi Magalhães