Padre Donizetti, o Taumaturgo de Tambaú

Esses dias, lendo, como de costume, alguns artigos sobre o nosso querido Padre Albino, me veio à mente um grande padre que sempre foi e ainda é lembrado por uma grande parcela da população de Catanduva e região: o Padre Donizetti Tavares de Lima, mais conhecido como Padre Donizetti, de Tambaú.

O referido padre não era conhecido só em nossa região, mas também em grande parte do Brasil e até no exterior, chamado por alguns de o Taumaturgo de Tambaú, sendo o responsável de, na década de 1950, lotar a cidade de Tambaú – SP de pessoas em busca de solução de muitos males e problemas.

Nasceu em 3 de janeiro de 1881, na cidade de Santa Rita de Cássia, no Estado de Minas Gerais.

Em 1900, iniciou o Curso de Direito na Faculdade do Largo São Francisco, abandonando-o posteriormente para ingressar no seminário, alegando que “Deus o chamava para ser um de seus apóstolos”. Ordenou-se sacerdote em julho de 1908, em Minas Gerais.

O caminho religioso

Após a ordenação, permaneceu muito pouco tempo em Minas, acompanhando o Bispo Dom Nery para a recém criada diocese de Campinas, e, já em 1909, tomou posse como vigário de Vargem Grande do Sul – SP, permanecendo lá durante 16 anos.

Em Tambaú ele só chegou no ano de 1926, permanecendo até a sua morte em 16 de junho de 1961.

Muito parecido com nosso Padre Albino, Padre Donizetti dedicou toda a sua vida em prol dos pobres e dos necessitados, contribuindo para a diminuição do sofrimento de inúmeras famílias que encontravam em sua pessoa repouso e abrigo.

É importante destacar aqui não a opção religiosa, ou seja, o fato dele ser padre, mas sua própria condição de homem solidário, que usando sua arma, no caso a batina, tentava proporcionar o bem para todos aqueles que o procuravam, não se importando com o credo que eles possuíam. Queria ajudar o que era humano, aquilo que os unia como uma irmandade universal e fraterna.

Raras são essas pessoas no mundo, e quem acredita que elas são privilégios de uma ou outra religião, engana-se: já tivemos Mahatma Gandhi, no Hinduísmo; Madre Teresa de Calcutá, no Catolicismo; Marthin Luther King, no Protestantismo; Chico Xavier, no Espiritismo; e por aí vai.

Essa questão é muito interessante de se observar, já que atualmente muitas igrejas ajudam apenas aqueles que fazem parte de seu meio, considerando o outro, o diferente, como algo que não está na mesma categoria que os seus, não merecendo apoio e abrigo.

Nesse ponto, o homem Donizzeti, assim como o nosso homem Albino, não fazia diferença entre um e outro. O padre considerava necessitado todo aquele que fosse carente, seja no campo material, moral ou espiritual, dedicando toda sua vida ao bem do próximo.

Na responsabilidade de seu sacerdócio, nunca pensava na sua comodidade, mas sim na implantação diária do Reino de Deus na Terra, vivendo a máxima do Cristianismo: “Ame a Deus sobre todas as coisas e o próximo como a ti mesmo”.

Cuidava pessoalmente de todos os detalhes em sua Paróquia, desde os ensaios das crianças no coral, até dos problemas municipais envolvendo políticos no cenário nacional.

Os milagres

Estão catalogados inúmeros milagres alcançados pela interseção do Padre Donizetti (que ultrapassa a marca dos quatro mil), porém ele nunca se considerava o responsável pela benção recebida, atribuindo as graças alcançadas à fé dos mesmos e a intercessão de Nossa Senhora Aparecida, junto a Deus.

Tambaú ficou muito conhecida pelas curas realizadas em seu território. Asmas, úlceras, gagueira, além de tumores, dilacerações de tecidos e fraturas, entre outros, eram curadas pelo apelo do padre.

Mais importante que as curas, padre Donizetti considerava as conversões mais importantes que a primeira, já que pregava que “as curas têm uma existência curta, a extensão da vida terrena. Já a conversão valia para a vida eterna”.

Até hoje muitos ainda pedem alguma graça em nome do padre Donizetti, sendo o seu túmulo muito visitado.

Na Casa do Padre Donizetti, local onde o religioso viveu, hoje transformado em museu, há uma sala repleta de objetos, na maioria próteses e muletas, de pessoas que obtiveram graças.

Caso Carlito

Muitas pessoas saíam de Catanduva rumo àquela cidade para ver se alcançavam alguma graça maior, por intermédio de tal religioso.

E numa dessas idas à Tambaú, um caso interessante aconteceu com um catanduvense muito conhecido em nossa cidade: Carlos Machado.

Diz-se que ele, acompanhando dois amigos, se dirigiu para a referida cidade, a fim de encontrarem o Padre Donizetti. Em dado momento da viagem, o Carlos Machado, que ia no banco de trás, acabou pegando do sono e dormiu.

Quando chegaram à cidade, não sabendo onde ficava o local que padre se encontrava, pararam o carro para perguntar a localização. Nesse instante, o Carlos acordou, e como possuía o cabelo um pouco comprido, estava todo descabelado e “armado”. A pessoa que deu a informação, após indicar o local e ver a figura do Carlos no banco de trás, cochichou na orelha do motorista: “Não é melhor amarrar ele, não?”.

 

Foto: Padre Donizetti teve uma vida de dedicação ao próximo e à sua religião. Chegou em Tambaú no ano de 1926, permanecendo até a sua morte em 16 de junho de 1961.

Autor

Thiago Baccanelli
Professor de História e colunista de O Regional.